Joel Carret/EFE
Joel Carret/EFE

Christian Horner, chefe da Red Bull, pede VAR na F-1 contra polêmicas

Para ele, mecanismo evitaria confusões como a que ocorreu no GP que definiu o título de 2021

Entrevista com

Christian Horner

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2022 | 05h00

Uma das principais lideranças da Fórmula 1, o britânico Christian Horner comanda a Red Bull, uma das maiores potências do campeonato e atual campeã do Mundial de Pilotos, com Max Verstappen. 

Ele coloca a equipe no topo num momento em que a F-1 volta a ganhar popularidade, sobretudo entre os mais jovens, por causa do sucesso da série Drive To Survive, da Netflix.

Em entrevista ao Estadão, Horner dá uma sugestão à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para evitar polêmicas como a ocorrida na decisão do título passado.

“A FIA poderia introduzir um sistema parecido com o VAR, do futebol, na Fórmula 1”, disse o britânico de 48 anos, casado com a ex-Spice Girls Geri Halliwell, à reportagem, em evento virtual promovido pela PokerStars, nova patrocinadora da Red Bull. 

Em Abu Dabi, Verstappen ultrapassou Lewis Hamilton na volta final. Houve críticas porque a direção de prova colocou o holandês na cola do britânico após a saída do safety car da pista – antes da intervenção, Hamilton tinha 11 segundos de vantagem e alguns retardatários entre eles.

O que achou dos novos carros da F-1?

Acho que os carros são bem diferentes, se comportam de forma bem distinta. Vamos precisar de algumas corridas para otimizar nossa performance. E acredito que as corridas deste ano serão muito empolgantes. Estamos competitivos, assim como a Ferrari. Temos nova dinâmica no campeonato.

Você espera que a F-1 já se torne mais equilibrada neste ano?

Sim, com certeza. Porque temos um teto de gastos agora e neste ano tudo será mais difícil por isso. Todas as equipes precisaram se enquadrar dentro do teto. A questão é como você consome o seu orçamento enquanto está colocando ele em prática. Como você vai conseguir desenvolver seu carro com mais eficiência dentro desta limitação? Será fascinante ver como os times vão lidar com isso durante a temporada. E uma consequência disso é que agora temos equipes, como a Haas e a Alfa Romeo, que estão mais competitivas.

Ferrari e Red Bull são as grandes forças este ano?

Nós trabalhamos muito duro para ter o número 1 em nosso carro. E estamos muito determinados em mantê-lo conosco. Mas não subestimamos nenhum dos nossos adversários. A Ferrari estava muito forte ao longo dos testes de pré-temporada. A Mercedes teve um início problemático, mas acredito que é algo pontual. Para nós, o mais importante é nos concentrarmos na performance da Red Bull para ver como estaremos no final da temporada.

Max Verstappen é bom o suficiente para quebrar recordes e fazer história na F-1?

Acho que Max é incrivelmente talentoso. E é claro que é muito jovem ainda. Então, a questão mais empolgante sobre ele é que ele se tornará um piloto cada vez melhor e mais forte com o passar do tempo. E agora ele tem essa vantagem de já ter um título no currículo, o que tira qualquer peso sobre os seus ombros. 

Sobre o fim da temporada passada, a FIA precisa rever algumas regras?

Acho que a FIA fez uma revisão completa de suas regras durante o inverno e mudou algumas coisas. Acho que houve muita confusão sobre as regras no ano passado. Foi um momento difícil para Michael Masi, diretor da prova. Ele recebeu pouco suporte. Acho que deveria ter recebido maior apoio. E também poderia introduzir um sistema parecido com o VAR, do futebol. Isso deixaria mais fácil a vida do diretor de provas e dos comissários. Precisamos deixar as regras e o regulamento mais claros, sem tanta interpretação. 

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