Circuito de Cingapura impressiona os pilotos na Fórmula 1

Pela primeira vez em toda a história da principal categoria do automobilismo, acontecerá uma corrida noturna

Livio Oricchio - O Estado de S.Paulo,

24 de setembro de 2008 | 17h35

O GP da Bélgica finalmente acabou. Felipe Massa foi reconfirmado como vencedor, Lewis Hamilton, terceiro colocado, terça-feira, no Tribunal de Apelo da FIA, e está mesmo apenas um ponto atrás do inglês, 78 a 77.Veja também:Primeira corrida noturna da F-1 tem previsão de chuvaO assunto agora na Fórmula 1 é a estréia de Cingapura no calendário do Mundial, a primeira corrida noturna na história da competição. Os treinos livres começam nesta sexta a partir das 8 horas, horário de Brasília, mas já nesta quarta alguns pilotos tiveram o primeiro contato com a pista iluminada: "Disputei várias provas à noite na Cart, mas nunca vi nada como esta aqui", disse o francês Sebastien Bourdais, da Toro Rosso, equipe vencedora da última etapa, em Monza.O trabalho realizado na montagem do circuito de 5.067 metros impressiona. A iluminação eficiente, ao menos para quem percorre a pé o traçado, torna a obra ainda mais bela. É certo também que o cenário ajuda. A pista tem como pano de fundo a maior roda-gigante do mundo, Singapore Flyer, com 165 metros de altura. Aliás, quem desejar acompanhar as 61 voltas da corrida de uma das elegantes gaiolas da roda-gigante, domingo às 20 horas (9 de Brasília), pode comprar os ingressos, ainda com preços que variam de 150 a 500 dólares de Cingapura (cerca de R$ 200,00 e 650,00).A maioria dos pilotos desembarcou ontem na cidade-Estado. Por volta das 22 horas locais (11 horas adiante em relação a Brasília), Fernando Alonso, Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi, os pilotos da Renault, percorreram a pé as 23 curvas do Marina Bay Circuit.A maior preocupação demonstrada por eles, assim como de Bourdais, foi com a chicane da curva 10. A pista tem asfalto uniforme e é larga, mas naquele ponto se estreita demais para permitir a passagem de um carro apenas. "Instalaram uns blocos atrás da zebra, para os carros não cortarem a chicane. Mas se alguém passar sobre eles será lançado no ar e baterá na grade", comentou Di Grassi. "Acredito que vão mudar já para o treino livre", explicou.Massa chegou terça-feira e a imprensa local publicou uma declaração do piloto da Ferrari. "Não conheço ainda o circuito, mas pelo que compreendi das simulações será mais difícil ultrapassar que em Valência", afirmou.A cidade espanhola também estreou no Mundial este ano, com um traçado que pouco lembrava os tradicionais de rua, o que não é o caso de Cingapura. "A maioria das curvas é de segunda marcha", falou Nelsinho Piquet, embora haja pontos de elevada velocidade da mesma forma que Valência.Enquanto percorriam o Marina Bay Circuit, os pilotos iam se deliciando com a vista. O traçado passa, por exemplo, sobre o rio Cingapura que corta a cidade, por isso há uma ponte de ferro, de rica arquitetura, Anderson Bridge. Mais: tangencia o porto com águas do Oceano Índico, desfila em frente a edifícios clássicos, como da antiga Alta Corte Suprema e deixará os espectadores assustados na arquibancada ao compreenderem que os carros se deslocam sob eles, dentre outras distinções do circuito asiático.O que poderia ser motivo de preocupação, competir a 300 km/h à noite, ao menos até agora só gerou elogios dos pilotos. "Parece dia na pista", disse Bourdais. "Será como correr de dia", também proferiu Nelsinho, enquanto conhecia o Marina Bay, sob temperatura de 26 graus, às 22 horas.Durante o dia chegou a 32 graus e é a previsão para o fim de semana, embora haja, como sempre, possibilidade de chuva por Cingapura estar quase no equador, 1 graus e 22 minutos norte.

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