Circuito de Sepang põe pilotos à prova

Para as equipes que não foram bem na Austrália, a desculpa estava na ponta da língua, "pista de rua", o que "mascara" um pouco o potencial de cada um. Ninguém questiona na Fórmula 1 a procedência da alegação. Mas a partir desta quinta-feira à meia noite, horário de Brasília, quando começam os treinos livres para o GP da Malásia, segunda etapa do campeonato, o que dirão os que não corresponderem ao que se espera deles? O espetacular circuito de Sepang representa a última concepção em seletividade à pilotagem, segurança e solicitação e resistência do equipamento.Talvez para não expor-se desde já ao calor desumano da região do autódromo, quase nenhum piloto esteve nesta quarta-feira na pista. Nesta quinta-feira, a contenção da velocidade dos carros deverá ser o tema principal das conversas no paddock, área atrás dos boxes, mas nesta quarta-feira já houve quem se pronunciasse. "Não penso que será negativo para a imagem da Fórmula 1 se restringirmos a potência dos motores para diminuir um pouco as velocidades", disse Eddie Irvine, da Jaguar. "Um motor com 2,5 litros (hoje tem 3,0 litros) e V-6 (em vez de V-10, como agora) seria uma boa solução", propõe.O presidente da Federação Internacional de Automobilimo (FIA), Max Mosley, já adiantou que a entidade irá alterar o regulamento em plena temporada se a escalada da velocidade verificada na Austrália repetir-se na Malásia e no Brasil. Irvine não foi o primeiro a defender a redução da potência do motor e não mudanças no chassi ou pneus para tornar os carros mais lentos. Martin Whitmarsh, diretor de operações da McLaren, também acha esse o melhor caminho. "Diminuir o volume do motor para 2,5 litros me parece a melhor forma de conter esse avanço."Com equipes como a Toyota, que irá estrear em 2002, e já tem no banco de provas um motor 3,0 litros, assim como a garantia de estabilidade nessa área dada por Mosley aos fabricantes, a sugestão de Irvine e Whitmarch tem poucas chances de ser adotada. O importante é que já se fala no assunto, o que dá a entender que muita gente na Fórmula 1 dá como certa a alteração das regras. As colocações dos dois refletem, no entanto, uma antiga mágoa dos que dirigem as equipes: a culpa cai sempre sobre elas e não os construtores de motores. "O que tem de cortar é a potência do motor e não ficar impondo-nos restrições aerodinâmicas e mecânicas", afirma John Barnard, técnico que trabalha para a Prost.Rubens Barrichello chegou no circuito na hora do almoço e permaneceu lá até as 15h20, quando um raio caiu muito próximo de onde estava no paddock, assustando a todos, além de expô-los a enorme perigo. Ele foi o único piloto titular que regressou à Europa depois da prova de Melbourne para treinar. Foram dois dias em Fiorano, visando dar maior resistência ao modelo F2001 da Ferrari, já que, segundo o próprio Rubinho, a corrida da Malásia é a "pior" para os pilotos e os carros em termos de desgaste.Michael Schumacher voa nesta quinta-feira de manhã, com seu avião Challenger, da ilha de Langkawi, no litoral da Malásia, para Kuala Lumpur. "Ele chegará apenas perto do horário da entrevista coletiva, às 15h30", informou seu assessor, Bernd Fisa. A partir do GP da Malásia o piloto alemão passará a usar o capacete que desejava, Schuberth, em substituição ao Bell. Os dois lados chegaram a um acordo para rescindir o contrato que terminava no fim do ano.O serviço de meteorologia da Malásia informou nesta quarta-feira que são esperadas chuvas nos próximos dias, mas não nos horários da sessão de classificação, na sexta-feira das 2 às 3 horas, e durante a prova, domingo, às 4 horas da madrugada, sempre horário de Brasilía. A temperatura irá variar de 33 a 36 graus. Não há previsão para a umidade do ar, mas ela não baixa de 90%.

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