Serjão Carvalho/Estadão
Pietro e Enzo têm como objetivo chegar à Fórmula 1 nos próximos anos Serjão Carvalho/Estadão

Clã Fittipaldi é a aposta para o Brasil resgatar tradição na Fórmula 1

Netos do bicampeão mundial, Pietro e Enzo estão entre os cotados para representar o País futuramente na categoria

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2017 | 07h00

Recorrer ao passado pode ser a solução para o futuro do Brasil na Fórmula 1. Se em 2018 o grid de largada não terá pilotos do País pela primeira vez desde 1969, um dos caminhos para voltar a ter representantes é exatamente apostar na terceira geração dos Fittipaldi, o sobrenome responsável por fixar a presença brasileira na categoria.

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Pietro Fittipaldi, 21 anos, pode ser o quarto da família a correr na F-1. O atual campeão da World Series estuda uma categoria para disputar em 2018 e tem a japonesa Super Fórmula como uma das possíveis escolhas. Se o sonho se concretizar, Pietro vai repetir o feito do primo de segundo grau, Christian, do tio-avô, Wilson, e do avô, Emerson.

De passagem pelo Brasil para compromissos profissionais, o piloto visitou o Estado nesta quinta-feira junto com o irmão Enzo, de 16 anos, outro que sonha com a Fórmula 1. Os dois participaram do programa Estadão Esporte Clube, transmitido ao vivo pelo Facebook, e comentaram sobre a expectativa em perpetuar o sobrenome famoso na pista. 

"Minha meta é estar lá o mais rápido possível. Acho que estarei pronto para avançar esse degrau quando for a hora. É uma decisão que precisa ser pensada", disse Pietro, nascido nos Estados Unidos. A mãe dele é Juliana Fittipaldi, filha do bicampeão mundial. Desde a estreia de Emerson na categoria, em 1970, até o fim de 2017, com o adeus de Felipe Massa, o Brasil manteve pelo menos um representante no grid da F-1.

O compasso de espera para chegar à principal categoria do automobilismo mundial requer paciência e sabedoria. Pietro, por exemplo, foi cotado para assumir uma vaga de titular na Sauber no próximo ano, algo que são se concretizou depois. Além disso, ele avalia em qual categoria correr de acordo com a competitividade. A Fórmula 2 seria um degrau mais óbvio, no entanto não fornece opções muito atrativas no momento.

O trabalho para chegar ao objetivo em breve, a Fórmula 1, está intenso neste fim de temporada. Pietro celebrou o título da categoria em um confronto com o ídolo Fernando Alonso. O piloto teve a chance de testar em Bahrein um carro utilizado nas 24 Horas de Le Mans e foi mais rápido do que o espanhol.

Fora das pistas também há atividade. O avô Emerson levou o neto para encontrar ex-pilotos e dirigentes de equipes durante o GP do Brasil, em Interlagos, no mês passado. Uma das conversas foi com o francês Alain Prost, conselheiro técnico da escuderia Renault. "Tive uma reunião com a equipe e estamos vendo possibilidades para a Fórmula 1. O Alain Prost me perguntou sobre a minha carreira e me deu algumas dicas", contou.

"O Pietro está muito bem. Neste ano ele ganhou várias corridas e está no caminho certo para chegar à Fórmula 1. O timing é que a gente não sabe: um ano, dois anos, três anos. Estamos torcendo", comentou Emerson Fittipaldi. O sobrenome não é a única razão do crescimento do piloto. Pietro, que é palmeirense como o seu irmão, Enzo, contou com o apoio dos pais e o amparo do programa de desenvolvimento de pilotos mantido pelo magnata mexicano Carlos Slim. 

O pai dele, Gugu da Cruz, disse ter vendido uma empresa e investido muitos recursos para manter o sonho de Pietro e do irmão mais novo, Enzo, atual piloto da Academia Ferrari. "O Pietro é muito dedicado e focado. Meu filho não sai, não é de ir em festas e não bebe. É o primeiro a chegar na equipe e o último a sair. Por isso ele se destacou", comentou.

O futuro candidato à Fórmula 1 de nome italiano e nascido nos Estados Unidos mantém ativa a ligação com o Brasil. À distância, tenta acompanhar os jogos e o noticiário do Palmeiras, fora os hábitos alimentares.

"A comida onde moro, na Inglaterra, não é tão boa. Então, sempre tento cozinhar um arroz com feijão. É costume brasileiro, não tem como dispensar", comentou. Fã de tradições, Pietro espera renovar a principal delas: a dinastia Fittipaldi na Fórmula 1./COLABOROU FELIPE ROSA MENDES

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Piloto da Ferrari aos 16 anos, Enzo se espelha em Vettel e Raikkonen

Brasileiro integrante do projeto da equipe italiana procura aprender com a convivência dentro da escuderia

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2017 | 07h00

Enzo Fittipaldi conseguiu, aos 16 anos, o sonho que pilotos como Michel Schumacher, Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen só foram conseguir perto dos 30 anos – guiar uma Ferrari. Fazer parte do projeto da equipe italiana é uma façanha que faz o jovem brasileiro sonhar com uma carreira na Fórmula 1.

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O irmão mais novo de Pietro cumpriu em 2017 a primeira temporada na Academia Ferrari, projeto de formação de pilotos responsável por ter levado à principal categoria do automobilismo nomes como Jules Bianchi e Sérgio Perez. No próximo ano, Enzo vai conciliar os calendários da Fórmula 4 alemã e italiana, junto com a rotina de treinos típicos de quem participa de categorias de base. São horas no simulador, trabalhos de preparação física, aulas de italiano e exercícios que estimulam o raciocínio rápido e os reflexos, para auxiliar na reação às luzes da largada ou em manobras.

A tradição e o renome da escuderia italiana fazem o irmão mais novo de Pietro também sonhar com a F-1. Após se destacar em competições de kart nos EUA, a bateria de testes e a seleção entre os seis escolhidos para fazer parte do time italiano o animou a mudar de continente e fixar residência em Maranello. Enzo é fã de Ayrton Senna.

"Conviver na Ferrari é uma experiência incrível, porque você está na fábrica, presencia o cotidiano da escuderia e dos principais pilotos. Ainda vejo quase sempre os dois pilotos (Sebastian Vettel e Raikkonen), então é muito bom para o meu crescimento", diz Enzo.

Os dois irmãos, porém, dizem ter consciência que só o sobrenome não será capaz de alavancá-los na carreira. A dupla está acostumada a responder sobre a influência do avô Emerson e de outros parentes, porém prefere evitar comparações e se cobra para que os resultados na pista justifiquem a evolução na carreira, e não apenas a relação familiar.

O próprio Emerson evitou forçar os filhos e os netos a iniciarem no automobilismo. O bicampeão mundial (nos anos de 1972 e 1974) preferiu que os descendentes iniciassem a paixão por correr por conta própria. Inclusive, da família Fittipaldi, há outro representante no caminho para se tornar piloto. O filho mais novo de Emerson, Emmo, de nove anos apenas, já começou a andar de kart.

O ex-piloto acompanha à distância a carreira dos netos no automobilismo. Pietro e Enzo por pouco não viram o avô em atividade. Emerson se aposentou na Fórmula Indy em 1996, ano do nascimento do mais velho dos irmãos.

Assim como Enzo, o Brasil terá outro piloto na Academia da Ferrari no próximo ano. Gianluca Petecof, de 15 anos, acaba de ser selecionado para o projeto depois de se destacar e terminar o Mundial de Kart deste ano na sexta posição, a melhor entre os brasileiros.

Emerson em recuperação. O bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi tem conseguido pouco a pouco diminuir as dívidas milionárias que acumulou. Uma reportagem da TV Record no início do ano passado mostrou débitos próximos a R$ 27 milhões, informação contestada pelo ex-piloto.

Emerson admite ter um valor pendente a acertar com credores, porém garante que tem diminuído o que deve. Para solucionar o problema, gerado por investimentos que não deram certo, foi preciso a Justiça apreender bens e levá-los a leilão, como troféus conquistados na carreira e carros históricos, como a Penske vencedora das 500 Milhas de Indianápolis em 1989 e o Copersucar, usado na temporada 1977 da Fórmula 1 e fabricado pelo próprio Emerson.

Uma de suas últimas movimentações patrimoniais ocorreu no último mês. Um leilão arrematou cerca de R$ 10 milhões um imóvel rural em Araraquara (SP) que pertencia ao ex-piloto. O bem foi negociado em cumprimento à decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo por ações movidas por bancos.

No último GP do Brasil, em Interlagos, Emerson circulou pelo paddock e disse que está conseguindo resolver as pendências. Garantiu ter patrimônio suficiente para pagar aos credores.

 

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