Clima quente na Stock Car

Enquanto a Fórmula-1 vive seu curto período de férias, a Stock Car está voltando depois de cinco semanas sem corrida, desde 29 de junho em Santa Cruz do Sul. A corrida é a segunda das três programadas para o exemplar autódromo de Curitiba este ano, e o campeonato vem sendo um dos mais equilibrados das últimas cinco temporadas, com oito vencedores diferentes e a liderança mudando de mãos algumas vezes.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2015 | 03h00

Neste momento, às vésperas da sexta etapa, o líder é Cacá Bueno (113), seguido de Marcos Gomes (107), Rubens Barrichello (92), Julio Campos (87), Daniel Serra (84), Max Wilson (75), Ricardo Maurício (70), Thiago Camilo (67) e Allam Khodair (66). Mas Cacá Bueno cumprirá a suspensão de uma corrida, pena imposta por causa de uma conversa via rádio com a equipe em que ele criticava os comissários da CBA depois da prova em Ribeirão Preto.

Cada etapa é composta de duas corridas. O vencedor da primeira leva 24 pontos e o da segunda, que é mais curta, fica com 15. Depois desta restarão ainda outras seis etapas, o que significa que Cacá continuará na briga pelo campeonato. Porém, independentemente da gravidade da acusação, impedir a participação de um piloto que está disputando diretamente o título é uma pena pesada demais. Não gosto de ver uma competição esportiva correndo o risco de uma medida de ordem jurídica influir no resultado. E isso pode acontecer. 

Se a intenção foi aplicar uma punição que o piloto sentisse na pele e servisse de exemplo para outros, o efeito seria o mesmo se o valor da multa de R$ 50 mil aplicada junto com a suspensão fosse dobrado ou triplicado. Mesmo para pilotos muito bem pagos, como é o caso de Cacá, a lição seria assimilada. Indiscutivelmente as palavras do piloto foram bem agressivas, embora exista a alegação de que tratava-se de uma conversa privada entre ele e a equipe, que se tornou pública quando foi ao ar durante a transmissão da TV.

É normal que frases polêmicas sejam tornadas públicas, como acontece até na Fórmula-1. Um caso recente foi o de Fernando Alonso no Canadá. Quando a equipe pediu que poupasse o motor, ele respondeu que não faria isso e que preferia ver o motor estourar do que ser ainda mais lento. E olhe que é a Honda que paga o salário de Alonso na McLaren.

É bom lembrar o dia confuso da corrida em Ribeirão, que teve a primeira bateria sob chuva e a moça que deveria dar a bandeirada estava do lado de fora de uma tela com apenas um pequeno buraco aberto na cerca para passar a bandeira. Naquele dia eu fui procurar a moça e fiz com que ela se encontrasse com Cacá, que reconheceu tratar-se de uma falha à qual todos estão sujeitos. Até mesmo Pelé, convidado a dar a bandeirada no GP do Brasil de F-1 em 2006, que perdeu a passagem do vencedor Schumacher. Como a bandeirada é apenas um gesto formal, isso não interfere no resultado da corrida, que se encerra no tempo ou número de voltas programado. 

As confusões daquela etapa não pararam por aí, tanto que Ricardo Maurício e Max Wilson, que tinham sido desclassificados da primeira bateria por terem trocado o pneu de chuva pelo slick no box antes da segunda, recuperaram os pontos no tribunal. Tudo porque a redação do regulamento dava a entender que a troca de pneu por razões de segurança deveria ser obrigatória em qualquer mudança climática, tanto de pista seca para molhada como de molhada para seca. 

Para substituir Cacá, a Red Bull foi buscar o belga Laurens Vanthoor, bicampeão mundial de GT (2013 e 2014), campeão da F-3 alemã em 2009 e vencedor da “24 Horas de Spa-Francorchamps” em 2014. Vanthor tem 24 anos de idade e não é um calouro na Stock Car, porque disputou a abertura do campeonato fazendo dupla com Valdeno Brito.

A corrida em Curitiba marca a estreia de um novo tipo de pastilhas e pinças no sistema de freio. Os pilotos conheceram a novidade em um treino na quinta-feira e, mesmo após os treinos livres de ontem, a opinião é que, embora sem influência no tempo de volta, o novo freio dá mais segurança ao piloto.

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