Com Button, BAR já pensa em vencer Ferrari

No GP de Mônaco de 2001, Jenson Button não hospedou-se em nenhum hotel, mas no seu iate, de 80 pés, ancorado ao lado do paddock do circuito. Ia para "casa" e retornava à pista com o macacão da sua equipe na época, a Benetton. Dois anos antes, então com 19 anos, pedia ajuda ao pai para adquirir ingresso e assistir ao GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1, ainda que já disputasse o Campeonato Britânico de Fórmula 3. "Acho que absorvi o que era possível daquela temporada e de resto tento apagá-la de minha memória", afirmou no fim de semana em Ímola, onde teve desempenho extraordinário.O piloto que hoje é a sensação na Fórmula 1 já esteve perto de transformar-se, ao fim do campeonato de 2001, de grande esperança dos ingleses em uma das suas maiores frustrações. Já havia sido dispensado por Frank Williams no ano anterior, apesar da surpreendente performance para um estreante, e por pouco Flavio Briatore, diretor da Benetton em 2001, não faz o mesmo. "Eu me empenhava, mas desejava ao mesmo tempo levar uma bela vida e minha concentração não era a necessária", conta. "Frank Williams e Patrick Head não me perdoaram e me mandaram embora, e em 2001 foi também um desastre." Investiu quase tudo o que havia ganho na compra do iate.No dia em que Button, meses depois de estrear na Fórmula 1 e tornar-se o mais jovem piloto da história a marcar pontos, com 20 anos, 2 meses e 7 dias, ao conquistar o sexto lugar no GP Brasil de 2000, apareceu com uma Ferrari na sede da Williams, em Grove, Frank Williams o proibiu de entrar com o carro. Nada contra a marca. Ele tem até uma pequena coleção desses modelos, mas Button deixara o sucesso lhe subir à cabeça. Perder-se era um questão de meses. E foi o que ocorreu. "Mas isso faz parte do passado. O mais importante é que hoje tenho consciência de tudo e procuro aproveitar a experiência adquirida", falou sábado em Ímola, depois de estabelecer a pole position do GP de San Marino, na casa da Ferrari. Seu momento é especial.Os ingleses estão à procura de um sucessor de Damon Hill, último representante do país a ser campeão do mundo, em 1996. "Não me sinto pressionado. Tenho total confiança em que na hora que dispor de um carro para disputar o título poderei ser campeão." Michael Schumacher não o assusta. "Eu o vejo como os outros pilotos. É excepcional, mas sempre correu com grandes carros. Gostaria de ter o seu carro para uma disputa com ele."Emergente - A BAR é a segunda força do Mundial. Não há contestação. Button explica: "Carro novo, bastante eficiente na aerodinâmica, motor Honda novo, mais potência, mais confiabilidade, menor dimensão, mais baixo, organização do time repensada, tudo somado dá nisso." Onde pode chegar? "Em uma volta lançada, dependendo das condições, podemos pensar em vencer a Ferrari, como fizemos aqui em Ímola. Mas ao longo de uma corrida, nem pensar", diz. "Schumacher chegou a abrir mais de 20 segundos de vantagem ao longo das 62 voltas. A diferença caiu no fim para uns nove segundos porque ele administrou o ritmo."

Agencia Estado,

26 de abril de 2004 | 12h01

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