Divulgação/Haas
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Com futuro indefinido na Fórmula 1, Pietro Fittipaldi faz sucesso com transmissões na internet

Piloto brasileiro concilia seus compromissos na Haas com criação de conteúdo para os canais no YouTube e na Twitch

Felipe Rosa Mendes e Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2021 | 10h00

A Fórmula 1 passa por um processo significativo de mudanças. Prova disso é a nova geração de público que acompanha a principal categoria do automobilismo mundial e os novos modelos de transmissão. Pietro Fittipaldi, único brasileiro na categoria, acompanhou essas novidades e criou um canal no YouTube e na Twitch com o seu irmão, Enzo, que disputa a Fórmula 2, para atrair mais público, impactado pelas redes sociais e pela série Drive to Survive (Dirigir para Sobreviver, da Netflix).

O piloto de testes da Haas foca em seu desempenho nas pistas, mas não esquece dos conteúdos para o seu canal, chamado Fittipaldi Brothers. Lá, eles exibem os bastidores dos campeonatos e a rotina de um piloto. Na Twitch, fazem lives para se aproximar das pessoas que o acompanham. O público, em sua maioria, é composto por jovens que viraram fãs da modalidade não por causa do passado vitorioso do Brasil.

A Fórmula 1 organizou a primeira competição virtual da história no início deste ano. Pietro e Enzo representaram a Haas e foram campeões por equipes após conseguirem 100% de aproveitamento nas três etapas - Áustria, Inglaterra e Brasil. Enzo ganhou o torneio entre pilotos. O sucesso no jogo online fez com que os dois se tornassem virais nas redes sociais. E daí partiu a ideia de estarem mais presentes no ambiente virtual.  

"Tem muito mais jovem nos seguindo do que antes. Desde que começamos a produzir conteúdo, isso tem ajudado muito. As corridas virtuais trouxeram um público novo", relata Pietro ao Estadão em conversa no Autódromo de Interlagos.

Ao ver que a iniciativa deu resultado, os dois compraram os direitos de transmissão das competições que disputaram, como Stock Car e Indy Pro (categoria de acesso à Indy) e passaram a transmitir algumas corridas por meio do canal da Twitch.

"Fomos os primeiros pilotos a fazer isso, transmitindo nossas próprias corridas, até com comentaristas e narradores. Teve corrida mais longas em que chegamos a alcançar 300 mil pessoas únicas assistindo", diz o piloto brasileiro.

Pietro e Enzo são amigos de Gaules, maior streamer brasileiro e um dos mais conhecidos do mundo. Ele firmou parceria com a Fórmula 1 para transmitir oficialmente o sprint race e o GP de São Paulo em seu canal na Twitch. As corridas são acompanhadas de forma gratuita e exclusiva e os comentários e interações com o público podem ser conferidos tanto no canal do streamer como no da F-1.

"A estrutura de um streamer nasceu de forma a ser leve. Uma pessoa com um computador pode fazer algo novo de maneira diferente. É uma forma  de interação com recursos e ferramentas diferentes da televisão. Uma emissora precisa de um caminhão de transmissão e o streamer, com uma mochila, pode fazer praticamente a mesma coisa", reflete Gaules em entrevista ao Estadão.

Gaules tem 3 milhões de seguidores e picos de 343 mil dispositivos simultâneos em seu canal da Twitch, o mais assistido globalmente em outubro. Ele também transmitiu jogos da NBA, até lançamento de foguete e planeja entrar em outros esportes.

"Você precisa provar um pronto para o mundo. Fizemos com a NBA e deu certo. As pessoas olharam e viram que poderíamos tentar com a Fórmula 1. Com a primeira barreira quebrada, o desafio vencido, a resposta para o mercado e para o mundo é que outros esportes mundialmente famosos estão olhando para esse jeito de transmitir que nasceu no Brasil", aponta.

Pietro ainda não definiu seu futuro. Ele é piloto de testes da Haas desde novembro de 2018 e no ano passado teve a oportunidade de correr duas vezes na Fórmula 1, nos GPs de Sakhir e de Abu Dabi. O neto do bicampeão Emerson Fittipaldi substituiu Romain Grosjean, que havia sofrido grave acidente no Bahrein. Seu contrato com a equipe americana vai até o final desta temporada e as negociações estão em curso. É improvável, porém, que ele ganhe uma chance em 2022.

"Para o ano que vem, tem a possibilidade de eu manter o pé aqui, com a Haas. Mas não está decidido. Tenho falado com o Gunther (Steiner, chefe da Haas), que pediu para eu decidir primeiro o meu programa de corrida antes de conversar com a equipe. Também estou vendo possibilidades na Indy e tenho outras", revela.

Sua ideia é disputar uma temporada inteira, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria. Neste ano, ele correu três etapas ovais da Indy e também uma da Stock Car. Não descarta, para a próxima temporada, competir nessas categorias novamente.

"Estou precisando correr uma temporada inteira para poder mostrar o que consigo fazer na Indy, por exemplo. É disso o que eu preciso. Espero ter tudo definido antes do fim do ano", pontua.

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