Com paciência, Helinho espera título

Considerado um piloto "atirado?? e às vezes precipitado, Hélio Castro Neves resolveu fazer da paciência uma aliada no restante da temporada 2001 da F-Indy. Com isso, espera mudar uma incômoda estatística que o acompanha desde o início de sua carreira no automobilismo: a de disputar títulos e perdê-los. De 1992 até hoje, o atual piloto da Penske, que recentemente venceu as 500 Milhas de Indianápolis, já brigou por campeonatos quatro vezes. Foi vice em todas. "Se analisarmos esta estatística, vamos ver que algo está errado. Por isso, preciso me aprimorar, evoluir, aprender sempre. E aprendi que, num campeonato como o da Indy, se não der para ganhar a corrida, o negócio é somar pontos. Sempre. Com isso, na hora do ?vamos ver? estarei entre os pilotos que realmente disputarão o título. Aí, é acelerar??, disse Helinho, que está em São Paulo. Ele foi vice-campeão da F-Chevrolet em 1992, vice da F-3 Sul-Americana em 1993, vice do Brasileiro de F-3 em 1994 e vice da Indy Lights em 1997. "Não vou mudar meu estilo, mas acredito que com um pouco de paciência irei atingir meu objetivo?, avisou Helinho. O brasileiro, porém, garante que sua "opção pela paciência?? não tem relação com o que ocorreu domingo passado em Milwaukee, quando, exatamente uma semana depois de experimentar a glória de vencer as 500 Milhas, enfrentou a frustração de praticamente não passar na largada do GP de Milwaukee, após tocar na roda do carro do sueco Kenny Brack, rodar, ser atingido pelo carro do brasileiro Cristiano da Matta e ter de deixar a corrida. "Aquilo foi um incidente de corrida??, resumiu. Helinho não se nega a falar no "incidente de corrida?? de Milwaukee. Mas, naturalmente, prefere ter como tema sua vitória em Indianápolis, que lhe rendeu um prêmio de US$ 1.270.475,0, além de torná-lo praticamente uma celebridade nos Estados Unidos. "Foi fantástico, minha maior vitória. E estou impressionado com o reconhecimento que estou tendo por parte dos americanos. Não esperava tanto, mas eles não só valorizaram a vitória como estão gostando do meu jeito de ser, extrovertido.?? Helinho decidiu que, com o que lhe sobrou do prêmio (pagou 40% de imposto ao Estados Unidos e dividiu o restante com a equipe), vai comprar um apartamento nos EUA para sua irmã e assessora e doar parte para um instituição de caridade de Ribeirão Preto, cidade onde mora sua família. ?O que sobrar, irei investir. Ainda não sei em que. Talvez em imóveis.?? A vitória nas 500 Milhas também lhe rendeu, entre outras atividades, uma entrevista do programa do consagrado apresentador de TV norte-americano David Letterman. "Como ele é parceiro do Bobby Rahal no Team Rahal, ficou ?tirando uma? por causa da vitória do Kenny Brack em Milwaukee e me aconselhando a dar o troféu de campeão da temporada para ele. Mas eu avisei que ainda tem muito campeonato pela frente??, contou o brasileiro. De fato, ainda faltam 15 provas e Helinho, que está 23 pontos atrás de Brack (47 a 70), espera começar a recuperar o terreno perdido já em Detroit, na próxima etapa da temporada, dia 17. Aliás, foi na pista de rua de Belle Isle que ele venceu, no ano passado, pela primeira vez na F-Indy - tem atualmente quatro vitórias. "É claro que voltar ao lugar onde venci pela primeira vez me traz uma expectativa positiva. Mas outro fator que me enche de confiança é que os chassis Reynard (utilizados pela Penske) têm ótimo rendimento em circuitos mistos??, explica. Nas pistas ovais, os chassis Lola, com o qual Kenny Brack corre, apresentam melhor rendimento.Futuro - Ser campeão da F-Indy é o objetivo atual de Helinho. O alvo mais próximo. Mas ele não nega que a vitória em Indianápolis também lhe fez voltar a sonhar com a F-1. "É um objetivo e acho que meu sucesso em Indianápolis pode ajudar em futuras negociações. Porém, é besteira pensar nisso agora. No momento, penso em ser campeão da Indy, até porque não iria para a Fórmula 1 apenas para fazer número??, garante. Ele deixou claro que tem contrato com a Penske até o final de 2002, mas fez uma ressalva enigmática. "Mas toda regra tem uma exceção.?? Outro "projeto?? de Helinho - este ele espera realizar a curto prazo - é finalmente encontrar-se com a Miss Universo, a porto-riquenha Denise Quiñones, um dos compromissos que deveria cumprir como ganhador das 500 Milhas. "O Roger (Penske, dono da Penske) chegou a até a colocar o avião dele à minha disposição quando soube que eu iria me encontrar com a Miss Universo. Mas ela teve um outro compromisso e precisou cancelar??, lamentou. "Mas esta história ainda não acabou??, completou, brincando.

Agencia Estado,

07 de junho de 2001 | 18h18

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