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Mark Sutton / AFP
Mark Sutton / AFP

Aos 23 anos, Verstappen tem a cara da nova F-1, mostra evolução nas pistas e já sonha com título

Piloto holandês da Red Bull agora tem um potente carro nas mãos e se tornou favorito contra Lewis Hamilton; ele parece se divertir nos GPs e namora com a filha de Nelson Piquet

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 15h00

Jovem, talento precoce, potencial para virar campeão. As previsões sobre Max Verstappen estão finalmente se torando realidade na Fórmula 1. Ele tem a cara do que os organizadores americanos da F-1 desejam. O piloto de apenas 23 anos, dono de bagagem de veterano e bom piloto, vive seu melhor momento na categoria, após seis temporadas completas. Para ajudar, pela primeira vez conta com um potente carro nas mãos, o que o torna favorito ao título do campeonato deste ano, desbancando o heptacampeão Lewis Hamilton. Max parece se divertir nas pistas, também tem levado uma turma nova de torcedores para as arquibancadas, a maioria vestida de laranja, como nas partidas de futebol da Holanda em Copas.

Apesar dos títulos empilhados pelo rival britânico, Verstappen exibe domínio incomum em 2021, algo que não era visto havia 58 anos. O piloto da Red Bull venceu cinco das nove corridas da temporada. Esteve perto de levar outras duas, mas problemas técnicos e punição impediram a maior vantagem na competição, que já é de 32 pontos sobre Hamilton.

Com este desempenho, Verstappen liderou 403 das 575 voltas já disputadas neste ano, ou 70% do total. Somente a lenda britânica Jim Clark exibiu vantagem maior, nos idos de 1963. No momento, o holandês soma 144 voltas seguidas na ponta de uma corrida, sequência que não acontecia desde 2012 com o alemão Sebastian Vettel.  

Na Áustria, etapa passada, o piloto da Red Bull deu um show e obteve o seu primeiro “Grand Chelem” da carreira. O feito envolve fazer a pole position, vencer a prova, registrar a volta mais rápidas e liderar do começo ao fim de um mesmo GP. Tal momento faz os fãs e o próprio piloto pensarem em título, mas ele faz questão também de desconversar sobre o assunto. “Eu simplesmente vivo o momento. Uma corrida de cada vez. É assim que tenho trabalhado o tempo todo. Não gosto de sonhar ou pensar à frente das coisas”, afirmou o holandês em entrevista à BBC. 

Para os especialistas, são muitos os motivos que levaram o holandês a desbancar Hamilton e Mercedes neste ano. “Ele evoluiu muito mentalmente. Entrou na F-1 com a velocidade próxima que tem hoje. A parte mental foi a que mais melhorou. Antes era um cara muito 'tudo ou nada', por influência do pai (Jos Vertappen). Tinha sempre um astral pesado. Hoje ele aceita as diferenças, a coisas que dão errado. Isso o deixou muito mais leve, com menor pressão”, avalia Felipe Giaffone, comentarista do canal Band, em entrevista ao Estadão.

Recentes declarações do próprio piloto atestam esta opinião. “Minha ambição é vencer todas as corridas, estar na pole todos os fins de semana e vencer 20 campeonatos mundiais. Mas isso é irreal. Você precisa de sorte em sua vida e um carro muito dominante e nem sempre é o caso de uma equipe ser dominante por tanto tempo”, diz Verstappen, exibindo maturidade.

"Ele trouxe novamente uma dinâmica para a equipe, especialmente agora com a experiência que ele tem com a idade madura de 23 anos. Ele está atuando em um nível fenomenal e tem feito isso nas últimas duas ou três temporadas", avaliou o chefe da Red Bull, Christian Horner. "Acho que ele merece um carro, que finalmente podemos fornecer a ele, um carro e um motor para desafiar a Mercedes. Acho que ele está gostando disso."

Para Giaffone, o sucesso de Verstappen em 2021 é uma soma de fatores. Passa pelo crescimento pessoal, pela evolução da Red Bull e por falhas da Mercedes. “Ele recebe o melhor carro no melhor momento da sua carreira, quando está se tornando um piloto mais completo. Temos de lembrar que ele e o (Charles) Leclerc são da mesma geração, mas o Leclerc chegou na F-1 muito mais preparado. O Max fez apenas um ano completo em carros de fórmula antes de chegar à F-1. Era um piloto de kart guiando na F-1.”

O comentarista destaca, porém, outro aspecto que ajudou Verstappen a se destacar. A mudança no regulamento técnico deste ano reduziu a pressão aerodinâmica, que sempre foi a vantagem da Mercedes, o que beneficiou a Red Bull. “Os dois carros têm conceitos diferentes. O da Red Bull é mais curto e tem traseira mais alta. O carro da Mercedes é mais largo”, afirmou Giaffone, para quem o GP da Inglaterra, neste fim de semana, pode ser decisivo para o holandês encaminhar o título.

A previsão pode parecer exagerada porque faltam ainda 14 etapas para o fim do campeonato. Mas leva em conta o domínio da Red Bull, que será testado em Silverstone. No tradicional circuito britânico, a Mercedes venceu sete das oito corridas disputadas lá na era híbrida dos motores, iniciada em 2014.  “Este fim de semana é muito importante. Se a Red Bull seguir na frente, para mim estará praticamente decidido o campeonato. A Mercedes vai focar tudo no projeto do ano que vem”, opinou, referindo-se às grandes mudanças técnicas que os carros vão sofrer em 2022.

 

NAMORADA BRASILEIRA

A felicidade do holandês nos circuitos parece se repetir fora das pistas. Verstappen namora a brasileira Kelly Piquet, filha do tricampeão mundial Nelson Piquet, desde o fim do ano passado. Max tem se aproximado do Brasil desde então. O candidato ao título da F-1 passou a virada do ano em solo nacional e conheceu os Lençóis Maranhenses nos primeiros dias de janeiro.

Kelly acompanha o piloto em diversas etapas do campeonato, celebrando cada vitória do namorado. Verstappen já fez diversos elogios ao “sogro”, que considera uma “lenda da F-1”. O relacionamento do casal começou a vir a público no fim do ano passado, com postagens nas redes sociais de ambos. Antes de se relacionar com o holandês, Kelly teve uma filha com o piloto russo Daniil Kvyat, que deixou a categoria no ano passado. Curiosamente, o holandês chegou à Red Bull justamente para substituir Kvyat em 2016. Na época, o russo era alvo de muitas críticas por seguidos erros nas corridas e acabou sendo trocado durante a temporada, algo raro na F-1.

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