Leila Schweigert / Estadão
Bruna Tomaselli sonha com a Fórmula 1 Leila Schweigert / Estadão

Com W Series e F-1 próximas, brasileira sonha alto em categoria feminina

Catarinense Bruna Tomaselli, de 22 anos, vai disputar principal competição da modalidade voltada para mulheres

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 04h30

A Fórmula 1 deixou de ser um sonho exclusivo dos pilotos, no Brasil. Agora uma pilota também busca alcançar a categoria mais importante do automobilismo mundial. A catarinense Bruna Tomaselli, de 22 anos, passou a mirar alto em sua carreira a partir da sua entrada na W Series. Neste ano, a primeira competição da modalidade exclusivamente voltada para as mulheres vai acompanhar a F-1 em duas etapas do calendário.

A brasileira entrou na competição feminina em outubro ao ser aprovada em rigoroso processo seletivo com outras dezenas de pilotas. Ao contrário de outras categorias, a W Series não cobra pagamento e nem patrocinadores dos atletas. Escolhe o seu grid com base em testes físicos e na pista. Bruna participou do processo seletivo pela segunda vez, após não ter sucesso nos testes para a primeira temporada.

“Meu objetivo principal era entrar na W Series. Agora vou focar totalmente nela neste ano”, disse a pilota ao Estado, ao revelar que não disputará a USF2000, categoria de acesso à Fórmula Indy, como vinha fazendo nos últimos anos. “Na USF eu teria que pagar para competir e estou sem patrocínio. Na W Series, eu não preciso ter recursos. Eles dão a possibilidade para todas competirem de igual para igual.”

Na segunda temporada, com início em maio, a W Series contará com oito etapas, duas a mais que o campeonato de abertura. E duas destas corridas serão disputadas em finais de semana de GP da Fórmula 1, no México e nos Estados Unidos, ambas em outubro. Será a reta final da temporada da W Series, na companhia de pilotos badalados, como Lewis Hamilton e Max Verstappen, e grandes equipes, como Mercedes e Ferrari.

“Fiquei bem surpresa e animada porque eu nunca vi uma corrida de F-1 de perto. Vai ser uma experiência totalmente nova. Será muito bom para as pilotas e para a categoria. Além disso, vamos sair um pouco da Europa para competir em outro continente”, disse a brasileira. “Nossa visibilidade vai crescer. É um passo muito importante para todas nós, sem contar o que vamos poder aprender e vivenciar nos GPs.”

Bruna espera repetir a trajetória da britânica Jamie Chadwick. A pilota de apenas 21 anos foi a campeã da primeira temporada da W Series e já vem abrindo espaço na F-1. Neste ano, será piloto de desenvolvimento da tradicional Williams. “Como meu sonho é chegar à F-1, ela virou referência para mim”, afirma a catarinense, que tem o monegasco Charles Leclerc e Verstappen como seus preferidos. “Porque os dois são novos e estão desde o começo competindo de igual para igual com os grandes.”

Enquanto sonha com a F-1, a brasileira quer aproveitar a oportunidade de pilotar os carros da W Series, padronizados com chassis da fabricante italiana Tatuus. Têm potência pouco abaixo da Fórmula 3 Europeia, alcançando até 250 km/h. “Com mais alguns treinos, vai ser bem bom para poder me sentir 100% confortável no carro e poder mandar ver na temporada.”

Bruna diz se sentir à vontade na categoria feminina após os testes que fez nos últimos dois anos. “O clima é bem amigável. Mesmo sendo apenas testes, todo mundo tentava se ajudar. Não havia rivalidade. Sabíamos que era na pista que faríamos alguma diferença, no trabalho individual.”

O campeonato terá início somente no dias 29 e 30 de maio, em São Petersburgo, na Rússia. Mas a catarinense já se diz ansiosa. “É uma competição de nível mundial, vai ser muito gratificante poder competir entre as primeiras pilotas e tudo o que a categoria oferece, é muito bom. E ainda vou conhecer pistas de países bem diferentes.”

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Já protagonistas nas garagens, mulheres ainda buscam espaço nas pistas na F-1

Apenas cinco chegaram a disputar um GP da principal categoria de automobilismo

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 04h30

A pilota brasileira Bruna Tomaselli e suas futuras rivais na nova temporada da W Series terão que mostrar muitas habilidades na pista para realizarem o sonho de alcançar a Fórmula 1. E isso porque a presença das mulheres na pista ainda é um tabu na categoria, que só vem cedendo o domínio masculino nos bastidores e nas garagens das equipes.

Nos últimos anos, uma série de pilotas ganhou a oportunidade de atuar como piloto de testes e de desenvolvimento até de times grandes, sem sucesso. A maioria só conseguiu disputar raros treinos livres nos finais de semana de corrida. A britânica Susie Wolff foi quem chegou mais perto, como reserva da Williams. Em 2015, o titular Valtteri Bottas sofreu um mal-estar e foi vetado na Austrália, na primeira etapa do ano. Susie era a reserva imediata. Mesmo assim, o time escolheu o alemão Adrian Sutil para formar dupla com o brasileiro Felipe Massa no grid.

Outras pilotas também atuaram como reservas, caso da suíça Simona de Silvestro e das espanholas Carmen Jordá e María de Villota. Atualmente, duas estão dentro da F-1: a colombiana Tatiana Calderón, pela Alfa Romeo, e a britânica Jamie Chadwick, na Williams.

Se nas pistas a presença é quase rara, nas garagens as mulheres têm alcançado postos de relevância e comando. O ponto mais alto foi a chegada da indiana Monisha Kaltenborn ao cargo de chefe de equipe da Sauber, em 2010. Pela primeira vez, uma mulher atingiu tal posição na hierarquia das equipes.

Claire Williams, filha do lendário Frank Williams, comanda na prática a Williams. Mas oficialmente está abaixo do pai, afastado da categoria nos últimos anos em razão de problemas de saúde. Na Alfa Romeo, a britânica Ruth Buscombe ocupa a função de engenheira de estratégia do time.

Antes delas, as desbravadoras começaram a atuar na F-1 na década de 50. No total, apenas cinco conseguiram entrar num GP, sem registros de pole position e vitórias. Apenas uma delas, a italiana Lella Lombardi, somou ponto no campeonato.

As outras foram a também italiana Maria Teresa de Filippis. Disputou quatro provas pela Maserati em 1958. Lombardi esteve na categoria entre 1974 e 1976, ano em que a britânica Divina Galica iniciou as tentativas para disputar uma corrida. Em 1980, a Williams deu à sul-africana Desire Wilson uma única oportunidade de tentar correr. Ela falhou e ficou fora do grid do GP da Grã-Bretanha e nunca mais recebeu chances. E, em 1992, a italiana Giovanna Amati defendeu a equipe Brabham, sem destaque.

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