Hamad I Mohammed/Reuters
Hamad I Mohammed/Reuters

Como a Fórmula 1 conseguiu conquistar um novo público graças à Netflix

Série 'Dirigir para Viver' ajuda a categoria a se popularizar e atingir novos tipos de consumidores, mais jovens, mais feminino e menos europeu

Raphaëlle Peltier, AFP

19 de março de 2021 | 10h00

Mais jovem, mais feminina e menos europeia de uns anos para cá, a Fórmula 1 busca um novo público e tem conseguido este objetivo com a série Drive to Survive (Dirigir para Sobreviver). O produto é exibido na plataforma Netflix e estreia a terceira temporada nesta sexta-feira.

"É uma das iniciativas que tentamos abrir neste esporte, para incluir um público mais amplo, mas também para continuar servindo aos fãs", disse à agência AFP Ian Holmes, diretor de direitos de mídia do promotor do campeonato mundial de Fórmula 1. Tudo começo em janeiro de 2017, quando o grupo americano Liberty Media adquiriu os direitos comerciais da Fórmula 1, encerrando o reinado de 40 anos do britânico Bernie Ecclestone.

Isso foi o fim da era da "exclusividade". A modalidade, com um público envelhecido, abriu as suas portas para garantir um futuro, primeiro nas redes sociais e depois na plataforma de streaming. O conteúdo procura mostrar os bastidores do campeonato e as diferentes personalidades das equipes, explicou Holmes.

A primeira temporada da série consistiu em dez episódios dedicados ao campeonato mundial de 2018 e estreou em fevereiro de 2019, poucos dias antes do início do campeonato. Depois, houve uma segunda temporada em 2020 e agora é a vez da terceira, lançada nesta sexta-feira.

A Netflix não revela seus públicos, mas Holmes tem elementos para ser otimista. "Sabemos que as taxas de visualização da série têm sido muito altas e em muito pouco tempo estamos no topo da lista (dos programas mais assistidos), junto com os de crimes e os de cozinha", explicou. "É muito satisfatório do ponto de vista do público, mas sobretudo da sua natureza”, acrescenta. "O torcedor está envolvido, mas principalmente aquele que não é torcedor, aquele que é ocasionalmente ou o ex-torcedor".

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Sabemos que as taxas de visualização da série têm sido muito altas e em muito pouco tempo. Estamos no topo da lista
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Ian Holmes, Diretor de direitos de TV da Fórmula 1

A série tem tido muito sucesso nos Estados Unidos, onde outras modalidades do automobilismo, como Nascar ou IndyCar, são mais populares.  "É uma das iniciativas de marketing de maior sucesso na Fórmula 1", parabenizou Jess McFayden, diretora de estratégia digital do grupo de mídia especializada Motorsport Network. "Os esportes motorizados estão entre os menos acessíveis, ao contrário do futebol. A série abre as portas", insistiu.

Ziahn, 17 anos, estudante de segundo grau e promissor esquiador francês, é o exemplo perfeito. Ele descobriu a série por acaso e agora não perde nem mesmo os treinos. "Antes eu não entendia nada, só olhava os carros que giravam. Agora entendo os pilotos, as equipes, as estratégias", acrescenta o jovem. 

Nomes como Lewis Hamilton, Valtteri Bottas ou Charles Leclerc são agora conhecidos por grande parte dos espectadores que antes nem acompanhavam as corridas. "É interessante ver as diferentes personalidades porque, além dos capacetes, os pilotos não eram muito conhecidos. O fato de ver os meandros me pegou e me deu vontade de ver as corridas de novo", diz Thomas, de 34 anos, funcionário de empersa de distribuição.

Para a Fórmula 1, a aposta revelou-se vencedora. "Se alguém não segue este esporte ao vivo, mas vê os 400 minutos de Drive to survive (duração aproximada de cada uma das temporadas) isso já tem um valor", Holmes enfatiza. "Esses também são fãs e é uma forma mais ampla de captar a atenção deles. Podemos interagir com eles", completa. "Eles assistem, consomem. E há muitos patrocinadores visíveis na série", comentou.

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