Como uma pista de rua

Depois de umas férias não previstas, em consequência do cancelamento do GP da Alemanha, a Fórmula 1 está de volta, desta vez, na Hungria, a terceira pista mais lenta do campeonato, depois de Mônaco e Cingapura. Para o torcedor que viu o carro da Williams andar muito bem nas duas últimas pistas velozes - Spielberg e Silverstone -, mas ainda se lembra do fim de semana desastroso de Mônaco, o fim de semana não deveria ser animador. Mas a equipe tem novidades específicas para esta pista. E a regularidade de Massa e Bottas é um ponto forte da temporada. Até aqui, de todas as provas que disputaram (Bottas não correu a primeira por dores nas costas), os dois só deixaram de pontuar em Mônaco.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2015 | 03h00

Cada um deles tem um pódio, Massa ganha de 6 a 3 nas posições de largada (incluindo Austrália porque Bottas fez a classificação), os dois estão encostados no campeonato (77 a 74 a favor do finlandês) e a soma do que eles conseguiram na primeira metade do campeonato justifica a terceira posição da Williams entre as equipes, com mais do que o dobro de pontos da Red Bull. Só o desastre em Mônaco é que foi grande demais: Bottas em 14º e Massa em 15º. 

Cinco curvas de velocidade em torno de 100 km/h e quase metade da volta abaixo de 150 km/h. Nada a ver com o modelo FW37, que se dá melhor em retas e curvas de alta. Mas já no ano passado a Williams conseguiu uma receita que contrariou a lógica. Teve um carro na segunda fila e outro na terceira, e os dois pilotos marcaram pontos. Desta vez, além de brigar com Ferrari, tem também a Red Bull, que não sente tanto a desvantagem do motor Renault em relação ao Mercedes por ser uma pista quase sem reta (a maior tem 789 metros), na qual se usa aceleração plena apenas em 44% de uma volta. Mesmo sem nenhuma novidade na Sauber, Felipe Nasr, de contrato renovado, tem alguma chance de pontuar, desde que a equipe acerte na estratégia. É uma corrida com mais trocas de pneus e, se for possível segurar os carros mais tempo na pista, dá para tentar um pit stop a menos. 

A Mercedes caminha para mais um título de equipes, mas o momento certo de administrar a rivalidade entre Hamilton e Rosberg, separados por 17 pontos, é este. A lição aprendida no ano passado, quando os dois se bateram na Bélgica, a corrida seguinte à da Hungria, levou a equipe a exigir que os dois assinassem um documento que o jornal suíço Blick chamou de pacto de não agressão. O retrospecto de Hungaroring dá arrepios em Rosberg. Enquanto Hamilton já soma quatro vitórias (três ainda na McLaren), o alemão nunca conseguiu um pódio. O máximo foi a pole do ano passado, facilitada pela ausência de Hamilton, que teve um princípio de incêndio no carro quando saía do box para treinar. Na corrida, mesmo largando do box, ele ainda chegou à frente de Rosberg.

Brasileiros no Exterior. Também estarão em ação em Hungaroring André Negrão, que disputa a rodada dupla da GP2, com corridas hoje e amanhã, e Pedro Piquet na Porsche Cup, seguindo a ideia de seu pai, Nelson, de levá-lo a conhecer o maior número possível de pistas. Na Bélgica o BMW Team Brasil faz sua estreia na “24 Horas de Spa-Francorchamps”, uma das mais importantes provas de “endurance” do mundo. Os pilotos serão Cacá Bueno, Sergio Jimenez e Felipe Fraga, o caçula da equipe. Dos três, apenas Cacá não conhecia a pista, mas a preparação para essa famosa corrida dura a semana toda, a partir de terça-feira. O dono da equipe, Antonio Hermann, venceu esta prova em 1994. 

Com experiência bem maior nas provas de longa duração, Augusto Farfus defende a equipe Marc VDS, da Bélgica, com chance de brigar pela vitória. Na abertura da temporada ele foi segundo na “24 Horas de Daytona” e quarto em Nurburgring, largando na pole position. Também acontece neste fim de semana na Suécia a terceira etapa do Europeu de Kart, com participação de Caio Collet, de 13 anos de idade, que na semana passada conquistou o bicampeonato brasileiro. Em sua primeira experiência fora do Brasil, Caio fez um segundo lugar na etapa de Portugal.


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