Concorrência já preocupa Ferrari

Enquanto na Williams tudo é festa, na Ferrari a crise já se tornou aparente. "Honestamente devo admitir que nossos adversários recuperaram a vantagem técnica que tínhamos nas duas primeiras corridas do campeonato", afirmou Michael Schumacher, depois de abandonar a competição na 25ª volta. Os números comprovam sua tese: David Coulthard, da McLaren, divide com ele a liderança do Mundial, com 26 pontos. Rubens Barrichello concordou com Schumacher: "Estou surpreso, sem dúvida, com a Williams e a Michelin, temos agora pela frente muito trabalho, apesar de achar que a Ferrari ainda está um pouco à frente." Logo no início da prova, na quarta volta, Schumacher não conseguiu substituir as marchas no modelo F2001, que travou na segunda no começo da reta dos boxes. "Foi um problema elétrico no gerenciamento do câmbio", disse o alemão. Com isso perdeu três posições, para Juan Pablo Montoya, da Williams, Oliver Panis, BAR, e Rubinho, caindo para o oitavo lugar. Um pouco mais tarde, em razão de um problema com a suspensão dianteira esquerda, a roda cortou o pneu. "Sem nenhuma chance de conseguir pontos, Ross Brawn (diretor-técnico) recomendou que deixasse a competição porque poderia acontecer de novo e seria perigoso." Brown comentou ter estabelecido a estratégia da Ferrari em função da informação de que choveria no terço final da corrida, o que acabou não acontecendo. Os dois pilotos tinham combustível para um pit stop apenas, mas a exemplo do que Brown fez com Rubinho, o abasteceu com pouca gasolina para fazer mais uma parada e entrar na mesma estratégia dos que ele havia deixado para trás na operação do primeiro pit stop, Mika Hakkinen, da McLaren, e Juan Pablo Montoya, da Williams.O resultado interrompe uma série de nove pódios consecutivos de Schumacher, com seis vitórias e três segundas colocações, que começou no GP da Hungria de 2000 e se estendeu até a etapa de Interlagos, este ano. O diretor esportivo da escuderia italiana, Jean Todt, também engrossou o coro dos que acham que daqui para frente não haverá mais moleza como na Austrália e na Malásia. "Agora os nossos adversários são dois times e um fornecedor de pneus", afirmou, referindo-se à Williams além da McLaren e, claro, à Michelin, que trabalha com a organização de Frank Williams. Todt reconheceu: "A nossa estratégia de pneus não resultou no que pretendíamos." Schumacher falou de boca cheia, depois da classificação, que preferia largar atrás no grid (foi o quarto) mas ter os pneus certos para a corrida a obter a pole position com os pneus equivocados.O alemão e Rubinho usaram pneus Bridgestone duros enquanto todos os demais pilotos da marca japonesa tinham os mais macios. Já a partir de terça-feira a Ferrari começa a se preparar para a nova realidade da Fórmula 1, com a volta da eletrônica, a partir da próxima etapa do Mundial, dia 29 em Barcelona. "Vamos treinar quatro dias, um em Fiorano e três em Mugello", explicou Todt.

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