Confusão arranha credibilidade da Cart

A confusão causada pelos fornecedores de motores no GP de Detroit, disputado no último domingo, foi mais um golpe na credibilidade da Cart (Championship Auto Racing Teams), entidade que organiza a Fórmula Indy. Mais uma vez neste ano, colocou-se em dúvida sua capacidade de fazer um campeonato tranqüilo, sem imprevistos e confusões. Mas os organizadores não dão o braço a torcer.A atual temporada começou a ficar tumultuada antes mesmo do início, quando foi cancelada a etapa brasileira. A Cart, assim como Émerson Fittipaldi, promotor da prova, até hoje culpam a Prefeitura do Rio de Janeiro, por não ter pago a taxa exigida pelos organizadores. Mas o fato é que a corrida foi cancelada, mesmo com nove pilotos brasileiros na categoria.A Hollywood, que patrocina o piloto baiano Tony Kanaan na equipe Mo Nunn, deve ter ?adorado?. A bagunça seguinte foi em Dallas, para onde estava marcada a quarta etapa. A pista oval de Fort Worth, que abriga corridas da Nascar e da IRL (categorias mais lentas), receberia pela primeira vez uma prova da Indy. Só depois que toda a estrutura tinha sido montada no local, e que foi realizado o treino livre de sexta-feira, chegou-se à conclusão de que a pista não era segura.Como não tinham sido feitos testes suficientes, só na antevéspera da corrida os pilotos perceberam que dava até dor de cabeça correr em Dallas, devido à grande inclinação da pista: 24 graus. O cancelamento não deixa de ser um mérito em termos de segurança, levando-se em conta os interesses financeiros envolvidos: promotores, patrocinadores etc. Mas devia ter sido feito antes.Em Detroit, outra mudança de última hora. Com a Toyota suspeitando de que Ford e Honda estavam preparando o motor de forma irregular, e conseguindo mais pressão no turbo do que o permitido, a Cart resolveu implantar um espaçador na válvula pop off, para "reforçar o regulamento". A Cart e a Toyota afirmam que isso estava definido desde o início da semana. A Honda garante que só ficou sabendo na sexta-feira, na hora do treino livre. Pode até ser mentira de quem tem culpa no cartório e quis se fazer de vítima. Mas não há nenhum comunicado oficial provando a versão dos organizadores.Resultado: a primeira sessão de sexta-feira foi boicotada por Honda e Ford, reduzindo a qualidade da competição e diminuindo a exposição de boa parte dos patrocinadores. Além de ter fomentado os comentários de que o nível da Indy está caindo, de que isso é péssimo para a categoria, de que esse tipo de coisa pode afugentar a Honda.Ao contrário do previsto, parece que a Honda vai continuar, no ano que vem, com as duas equipes para as quais fornece motor atualmente na Fórmula 1: Jordan e BAR. Ou seja, talvez tenha de cortar orçamento de algum lugar, quem sabe da Indy.Apesar de tudo, a Cart mantém a pose. "A competição nunca foi tão forte. Claro que é difícil lidar com esse criticismo vendo uma das competições mais fortes que já tivemos", defende-se Tim Mayer, vice-presidente de operações da entidade: "Estamos num processo de mudança com o Joe (Heitzler, novo presidente)." Segundo ele, as situações acima citadas não poderiam ter sido previstas: "As pessoas acham que a questão do motor foi só um erro, mas estamos reforçando as regras para que sejam respeitadas. Mesmo que isso seja desconfortável. Eu vejo uma luz no fim do túnel, e é a luz do dia.Talvez eu tenha uma condição melhor de analisar isso do que a maioria das pessoas que nos criticam. "Resta saber como será o resto da temporada. Ainda faltam 14 corridas. A princípio. Há quem diga que os mal-entendidos seriam evitados se houvesse um homem-forte na categoria, como Bernie Ecclestone, na Fórmula 1. Na Indy, o poder é dividido pelos donos de equipes, que participam das decisões de acordo com sua participação nas pistas. Quanto mais carros e mais tempo disputando corridas ininterruptamente, maior o poder de voto. Há corridas que todos reprovam, como no oval de Milwaukee, mas que não deixam de ser disputadas por causa do interesse do promotor - no caso, Carl Haas, dono da equipe Newman Haas.

Agencia Estado,

18 de junho de 2001 | 13h10

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