Contrato ampara organização para F1 ficar em São Paulo

Embora Bernie Ecclestone tenha dito que o GP do Brasil pode não ser realizado em Interlagos no ano que vem, os organizadores da prova afirmam não temer que isso aconteça. Eles se baseiam em um contrato assinado pela Prefeitura de São Paulo e pelo inglês em 2006. A prefeitura não quis se manifestar sobre as ameaças feitas pelo promotor da Fórmula 1. Ele disse que Interlagos pode não receber o GP do Brasil do ano que vem por falta de estrutura.

CIRO CAMPOS, Agência Estado

16 de abril de 2013 | 08h05

Durante o fim de semana do GP da China, Ecclestone afirmou que o autódromo possui a pior estrutura da categoria e que está longe de cumprir as exigências operacionais da Fórmula 1. O dirigente disse estar cansado de aguardar pelo cumprimento das promessas de melhorias e alertou que, caso não tenha a certeza de que haverá mudanças, a prova será retirada do calendário.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou em 2012 que incluiria no orçamento deste ano uma verba de R$ 120 milhões destinada à reestruturação de Interlagos. Entre as mudanças, a largada migraria para onde hoje é a reta oposta e, no local, seria construído um novo complexo com boxes, salas, banheiros e paddock.

O problema, porém, é que o montante não entrou no orçamento. Este é o primeiro ano da gestão de Fernando Haddad e, como o orçamento segue o que foi previsto no ano anterior, não é possível fazer grandes intervenções em Interlagos em 2013.

De acordo com a organização da prova, a revitalização voltará a ser discutida com atenção até o começo de maio, quando vão ocorrer reuniões com a presença de representantes da Prefeitura e da Fórmula 1. O objetivo é que a reforma no autódromo comece a ser feita em 2014.

O que ficar decidido nesses encontros vai pesar na decisão de outro tema importante das reuniões: a renovação do contrato que permitirá a Interlagos receber uma das etapas da principal categoria do automobilismo até pelo menos 2020.

Pode contribuir para a continuidade do GP em São Paulo a ligação afetiva que Ecclestone diz ter com o Brasil. Segundo ele, esse sentimento foi o que o levou a manter a realização da provas no País mesmo que não esteja satisfeito com a estrutura oferecida nos últimos anos. Foi o chefe comercial da Fórmula 1 quem trouxe a categoria para o Brasil, em 1972. O traçado da pista paulistana é muito elogiado por ele.

SANTA CATARINA - O dirigente inglês já tem um plano B caso as negociações não avancem conforme sua vontade. Ele levantou a possibilidade de o GP do Brasil ser disputado em Penha, litoral norte de Santa Catarina, perto do parque Beto Carrero World.

Ecclestone esteve no local no fim do ano passado, a convite do governador do Estado, Raimundo Colombo. Eles se reuniram com empresários e o dirigente se disse bastante impressionado com o interesse local de levar adiante o projeto. O autódromo seria concebido pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, que assina várias pistas do atual calendário da categoria.

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