Coulthard: nova aposta da McLaren

Três horas antes da largada do Grande Prêmio do Brasil, hoje, em Interlagos, o coordenador da equipe McLaren, Jo Ramirez, dava seu palpite para a corrida: David Coulthard chegaria em primeiro, Mika Hakkinen em segundo e Michael Schumacher em sétimo, portanto, sem marcar pontos. Rubens Barrichello sequer foi citado. A previsão, uma provocação à Ferrari, foi confirmada, pelo menos em parte. Coulthard venceu e Barrichello abandonou a prova na terceira volta, após bater na traseira da Williams do alemão Ralf Schumacher. O escocês ultrapassou Michael Schumacher em uma manobra arrojada, na 49ª volta, na freada do "S do Senna", venceu a corrida e agora soma 20 pontos no campeonato, contra 26 do atual campeão mundial, o grande perdedor de hoje, apesar da segunda colocação na prova. Mas a corrida, uma das mais espetaculares da história de 30 anos da competição no Brasil, teve um grande nome: Juan Pablo Montoya. O resultado torna Coulthard, de fato, o piloto número um da McLaren e, pelo menos neste início de temporada, o principal adversário de Schumacher na disputa pelo título. O GP de Interlagos também mostrou que Montoya chegou para brigar pelas primeiras posições na Fórmula 1. O colombiano liderava a corrida na 29ª volta quando seu carro foi atingido por trás pelo do holandês Jos Verstappen. A manobra foi tão desastrada que Verstappen foi multado pela FIA em US$ 15 mil. Montoya não se abateu. Há muito tempo a Fórmula 1 sonhava com alguém com personalidade para enfrentar Schumacher. Campeão mundial em 1998 e 1999, Mika nem conseguiu largar hoje e tem apenas um ponto em três provas disputadas. O finlandês foi o primeiro a cumprimentar Coulthard, que fez uma das melhores, senão a melhor apresentação nas 110 corridas de Fórmula 1 que disputou. David completou 30 anos na última terça-feira, mas ofereceu a vitória à irmã, que também fez aniversário esta semana. O escocês foi beijado por Ron Dennis, chefe da McLaren, e até arriscou alguns passos de uma dança parecida com samba, no pódio de Interlagos, que também teve o cada vez melhor Nick Heidfeld, da Sauber. Coulthard não soube soube explicar direito que comemoração era aquela. "Foi uma dança terrível. O Michael jogou muito champanhe no meu macacão", brincou. Troféu exposto - Orgulhosa, a McLaren deixou exposto o troféu de vencedora do GP do Brasil - uma escultura em forma de volante - em cima de uma mesa, ao lado da garrafa de champanhe com a qual seu piloto comemorou a vitória que quebrou uma série de seis triunfos consecutivos de Schumacher e da Ferrari. Coulthard destacou que a equipe fez a opção certa ao preparar o carro para o asfalto seco, mas esperando uma prova com chuva no fim, conforme previa a meteorologia. "Foi uma corrida em que escolhemos a estratégia correta. O carro, com acerto intermediário, rendeu o máximo para as condições, quando começou a chover." O triunfo de Coulthard significa um alívio a um time que foi mal nas duas primeiras corridas do ano e que, na quinta-feira, se confessava "perdido" antes do início dos treinos. A situação era considerada tão crítica que o projetista Adrian Newey nem veio ao Brasil. Ficou na Inglaterra trabalhando na nova versão do modelo MP4/16, a ser apresentado dia 29, no GP da Espanha. "Quando você larga em quinto não espera vencer, o que torna o resultado desta corrida muito especial", disse o escocês. Ao seu lado, na entrevista coletiva à imprensa, Schumacher mal conseguia esconder sua contrariedade com o resultado. Um jornalista perguntou ao alemão se ele estava aborrecido com o resultado e com os problemas que enfrentara durante a corrida. Irritado por não ter conseguido sua sétima vitória consecutiva, Schumacher foi seco: "Não estou aborrecido. Eu gostaria de estar sentado na cadeira do meio nesta entrevista". A cadeira do meio é reservada ao vencedor da corrida.

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