Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Doria avisa que para Fórmula 1 sair de São Paulo em 2020 terá de pagar 'multas pesadas'

Cidade de São Paulo tem contrato para realização do GP do Brasil no Autódromo de Interlagos até o próximo ano; Rio se movimenta nos bastidores para receber a prova

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 13h22

Depois de o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado na quarta-feira que GP do Brasil de Fórmula 1 de 2020 será realizado em um novo autódromo a ser construído no Rio de Janeiro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou nesta sexta-feira que para a prova do próximo ano ser realizada fora de Interlagos seria necessário romper o contrato. "Temos contrato assinado com os promotores da Fórmula 1, com cláusulas rigorosas, multas pesadas, mas valores confidenciais. Não há razão para acreditar que a continuidade desse importante evento não siga na capital paulista", disse o governador.

Doria e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, concederam entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes e reforçaram que pela qualidade da pista, pelo poderio econômico da cidade e pela tradição, São Paulo continua como favorita a se manter no calendário da F-1. "Se o Rio quiser disputar a Fórmula 1 com São Paulo, posso garantir que São Paulo tem mais chance de vencer nesse caso", afirmou o Doria.

Covas declarou que no próximo mês vai receber na cidade o chefe da Fórmula 1, Chase Carey, para uma reunião sobre a renovação de contrato da categoria para continuar a realizar o GP do Brasil no Autódromo de Interlagos. A prova tem contrato até 2020 e a prefeitura está otimista de que conseguirá estender a parceria por mais alguns anos. "Desde o final do último GP iniciamos as tratativas para renovar contrato a partir de 2021. Durante esse período todo, não tivemos resistência alguma por parte do proprietário do evento. Em nenhum momento tivemos dificuldade. Teremos mais uma rodada de negociação em junho", explicou.

Covas e Doria reforçaram que a Fórmula 1 gerou apenas em 2018 um impacto econômico de R$ 330 milhões para São Paulo, impulsionado principalmente pelo público, que é formado 77% por turistas. Esse contingente gerou uma ocupação nos hotéis de 97% durante os dias da prova, em novembro. Pelos números da prefeitura, nenhum outro evento na cidade tem uma movimentação de dinheiro tão grande.

As lideranças paulistas esclareceram que mesmo com a disputa por receber a Fórmula 1, não há clima de animosidade com Bolsonaro ou com os políticos do Rio de Janeiro. "Não há estremecimento com ninguém. Temos todos uma relação muito boa e respeitosa", disse Doria. "Não é uma 'cruzada' contra o presidente Bolsonaro. Estou apenas defendendo os interesses da cidade de São Paulo", acrescentou Covas.

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