Da Matta ganhou a corrida no box

Cristiano da Matta largou na segunda fila e ficou durante dois terços da corrida vendo Gil de Ferran e Roberto Moreno liderarem. Gil assumiu a ponta logo de início, Moreno a recuperou no primeiro pit stop e Gil estava prestes a ultrapassá-lo quando entrou no box para a segunda parada. Foi este o momento crucial em que Cristiano pôs em prática o plano que o levou a vencer sua segunda prova no ano, depois da abertura do campeonato, em Monterrey. O piloto mineiro, que disputa sua primeira temporada por uma equipe de ponta, a Newman-Haas, ganhou o GP da Austrália economizando combustível. Quando Gil e Paul Tracy fizeram o segundo pit stop, Cristiano ainda pôde fazer duas voltas antes do seu - voltas muito rápidas, já que o tanque estava praticamente vazio, e que lhe permitiram manter a vantagem mesmo após a parada. "O Gil geralmente não é dos melhores na economia do combustível, então fui atrás economizando e pensando ?? assim vai dar para chegar legal??, explica o piloto, que elogiou o fabricante do seu motor: "O controle de combustível da Toyota é muito bom." Mais uma vitória, mais uma bicicleta que Cristiano terá de dar para o amigo Tony Kanaan, segundo uma aposta que eles fizeram no início do campeonato, quando Tony tinha esperança de que a Mo Nunn lhe daria condição de vencer - ele terminou em 17º. "Achei que ele ia ganhar umas corridas também, por isso fiz a aposta", brincou Cristiano, que adorou passar um tempo na Austrália - chegou nove dias antes da corrida: "Ganhar é ganhar, mas aqui tem um gosto especial. Você chega cedo, faz amigos... Apesar da distância, parece que está em casa. E o público adora a corrida." Com esta recuperação no final do campeonato, Cristiano espera deixar uma boa base para fazer, no ano que vem, algo que não foi possível neste ano - lutar pelo título - devido, segundo ele, a muitos erros: "A gente se enveredou por uns caminhos que não estavam certos e demorou para perceber. De Vancouver em diante, a gente melhorou bem em circuito misto e de rua. Em oval, ainda não." Cristiano culpa o chassis que sua equipe usa: "A Lola ficou bem atrás da Reynard, mas no ano que vem vai ter um modelo novo. Espero que seja bem melhor." Mas conta que também faltou entendimento com seu engenheiro, Peter Gibbons. O piloto está torcendo para que ele consiga se tornar diretor-técnico, o que abriria espaço para colocar outra pessoa. Mas ainda assim é preciso dinheiro, o que depende do novo patrocinador da equipe, ainda não anunciado. Cristiano acha que falta "sangue novo" na Newman-Haas: "As idéias são sempre as mesmas." E também que seu engenheiro é nervoso demais: "Quando as coisas dão errado, sou eu que tenho de acalmá-lo. Deveria ser o contrário."

Agencia Estado,

28 de outubro de 2001 | 13h17

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