Da Matta não quer mimos da Haas

A vitória no Grande Prêmio de Monterrey, no domingo, foi um passo importante para o mineiro Cristiano da Matta buscar o título da Fórmula Indy. Com o tempo, essa afirmação pode até se mostrar precipitada, mas o piloto parece ter confirmado algo que vinha sendo especulado na pré-temporada: ele é um dos favoritos.Claro que os 21 pontos conquistados no México (20 pela vitória e um pelo maior número de voltas lideradas) significam pouco se considerarmos que o campeonato tem 21 corridas. Mas vencendo na primeira prova que disputava pela Newman Haas, Cristiano deve ganhar a tranqüilidade necessária para vencer mais vezes. E quem sabe entrar para o seleto grupo dos dois únicos brasileiros que foram campeões da categoria: Émerson Fittipaldi e Gil de Ferran.Aos 27 anos, este mineiro de Belo Horizonte tem as seguintes conquistas no currículo: campeão mineiro de kart em 90, brasileiro de kart em 91, paulista de kart em 92, brasileiro de Fórmula Ford em 93, brasileiro de Fórmula 3 em 94 e da Indy Lights, a categoria de acesso à Indy, em 98. Em 1999 e 2000, com a pequena equipe PPI, foi, respectivamente, 18o e 10o no campeonato da Indy. Agora, enfim, chegou a uma equipe grande. E já mostrou que não precisará de tempo para adaptação, uma velha desculpa."Essa vitória é resultado de um trabalho duro na pré-temporada, de muitos testes. A equipe foi muito metódica nos detalhes. Quando eu queria andar rápido, eles se preocupavam com outras coisas. Agora vejo que estavam certos", disse o piloto após a conquista de domingo: "Isso deixa tudo mais fácil no começo." Embora tenha-se mostrado muito tranqüilo no cockpit, Cristiano admite que sentiu certa pressão na estréia pela nova equipe. Não por substituir o grande Michael Andretti, que transferiu-se para a Green, "mas por dirigir um carro da Newman Haas. Estar num time grande deixa as coisas muito diferentes".Com o novo engenheiro, Peter Gibbons, Cristiano afirma que está tendo um bom relacionamento: "Vai demorar um pouco para nos entendermos 100%, mas está indo muito bem. Até porque éramos amigos antes de sermos companheiros de trabalho."Com o novo companheiro, Christian Fittipaldi, ele não acha que terá problemas de relacionamento por começar tão à frente, logo no início - em seis anos na Newman Haas, Christian venceu apenas duas corridas, uma em 1999 e uma em 2000. Segundo Cristiano, não haverá ciúmes nem tratamento diferenciado: "A equipe tem recursos financeiros para fornecer equipamento igual para mim e para ele. O que um tem, o outro também vai ter."E com o velho amigo Tony Kanaan, da equipe Mo Nunn, Cristiano terá de cumprir uma aposta. Entre os dois, quem ganhasse a primeira corrida no ano teria de comprar para o outro uma bicicleta de US$ 4 mil. Para eles pedalarem juntos pelas ruas de Miami, como costumam fazer.Nessas quatro semanas de folga até a corrida de Long Beach - já que a prova do Rio, prevista para 25 de março, foi cancelada -, Cristiano teria tempo de sobra para comprar a bicicleta de Tony. Mas vai voltar para Belo Horizonte e passar algum tempo com a família. "É estranho ter tanto tempo livre depois do início do campeonato, acho que nunca tive.Até Long Beach, vou fazer algumas simulações de computador e me manter em forma, com bicicleta, natação e corrida. E vou comer queijo em Minas", disse ele, com um bom-humor mais que compreensível.

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