Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

De olho no Brasil, Fórmula E tem reforço de Massa em quinta temporada

Calendário da categoria começa neste sábado, na Arábia Saudita, e terá o ex-piloto de Fórmula 1; País deve ganhar etapa em 2020

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2018 | 04h30

Os carros elétricos da Fórmula E vão voltar para as pistas neste sábado. Cada vez mais de olho no Brasil, a categoria vai iniciar sua quinta temporada com a corrida na cidade de Al-Diriyah, na Arábia Saudita, às 10h05 (horário de Brasília), com o reforço de Felipe Massa, que se soma aos compatriotas Lucas di Grassi e Nelsinho Piquet no grid.

Apesar do início da temporada 2018/2019, a F-E já pensa no futuro e quer expandir o campeonato para além de suas 12 cidades – serão 13 corridas, com rodada dupla em Nova York. Neste cenário, o Brasil se tornou um dos seus principais alvos. A chegada da categoria ao País para o campeonato de 2019/2020 é dada como certa.

“Para a Fórmula E, o Brasil é uma prioridade. Já temos bons pilotos brasileiros, temos uma empresa parceira. Estamos em contato com outras companhias locais, os construtores que participam do Mundial querem correr no Brasil e nós também queremos. Por isso, sabemos que é uma questão de tempo uma corrida no país”, reforçou o espanhol Alejandro Agag, fundador e presidente da F-E. 

O que se avalia no momento é a futura sede da prova. Na briga estão São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, que leva ligeira vantagem no momento. A capital paulista era a grande favorita, mas o cancelamento de última hora da corrida marcada para março deste ano causou incômodo e desconfiança. A prova seria disputada no Anhembi, porém o processo de privatização do local acabou com os planos de realizar a corrida num traçado de rua semelhante ao usado pela Fórmula Indy entre 2010 e 2013.

Sem o Anhembi, a proposta de São Paulo é realizar a prova num traçado que passa pelo Parque do Ibirapuera. A bela área verde no meio da cidade não é o único trunfo dos paulistanos. O desenho do circuito é do próprio Lucas di Grassi, que é muito próximo de Agag. 

Em Belo Horizonte, um traçado poderia ser desenhado em torno da Lagoa da Pampulha. A vantagem da proposta mineira é a forte parceria entre a Fórmula E e a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), cuja sede fica em Araxá. 

A maior produtora de nióbio do mundo estendeu em novembro acordo com a F-E por mais três anos. Com utilidade diversa na indústria, o nióbio é componente essencial nas baterias dos carros elétricos do campeonato. 

Em meio à indefinição sobre a futura etapa brasileira, a F-E buscou um reforço de peso para o seu grid. Felipe Massa, vice-campeão de Fórmula 1 em 2008, deve ampliar o alcance do campeonato. Em recente entrevista ao Estado, o ex-piloto da Ferrari se disse bem adaptado aos carros elétricos, mas ainda com dificuldade com o volante. “Um carro da Fórmula E, fisicamente, é muito mais tranquilo de pilotar do que um F-1. Só que você não tem noção de como é pesado o volante”, afirmara o novo piloto da equipe Venturi.

Massa deve ter a forte concorrência do francês Jean-Éric Vergne (equipe Techeetah), atual campeão, do compatriota Di Grassi (Audi), campeão em 2016/2017, e do britânico Sam Bird (Envision). 

Os novos rivais de Massa vão experimentar uma grande novidade. Com bateria de maior capacidade, os carros da geração 2 não vão mais exigir um pit stop para a troca dos veículos, algo então recorrente na F-E. 

“Será um carro mais complexo, com mais pedaços, e é apenas um carro para toda a corrida. Será uma pilotagem diferente, vai ter de ter muito mais cabeça”, projeta Nelsinho Piquet, da equipe Jaguar. 

O brasileiro, campeão da primeira temporada da F-E, também espera corridas com performances mais elevadas por causa da chegada de pilotos mais experientes e também pela contratação de profissionais da área técnica da F-1. “O nível de pilotos e equipes aumentou e espero que tenhamos dado um passo à frente. A equipe está trabalhando muito, mas todos estão afiados”, diz Nelsinho.

 

 

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