Hannibal Hanshcke/Reuters
Hannibal Hanshcke/Reuters

De vaquinha virtual a limpeza de metrô: piloto lança inovações para combater pandemia

Lucas Di Grassi, da Fórmula E, desenvolve equipamento de higienização para transporte público durante a quarentena do coronavírus

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2020 | 16h00

A distância das pistas durante o período da pandemia do coronavírus fez o piloto Lucas Di Grassi, da Fórmula E, a concentrar boa parte da sua jornada diária em atribuições fora do automobilismo. O paulistano de 35 anos tem sido um dos esportistas brasileiros com mais iniciativas para o combate à covid-19, especialmente pelo lançamento de três projetos principais: uma vaquinha virtual, a confecção de equipamentos de segurança para profissionais que atuam em asilo e, por último, a criação de um equipamento para higienizar o transporte público.

Em entrevista ao Estado, o campeão mundial de Fórmula E em 2017 afirma que há muito tempo gosta de projetos na área de tecnologia e inovação, mas a chegada do coronavírus ao Brasil o deixou ainda mais inquieto sobre como poderia criar sugestões para o momento. "Empreendedorismo é achar problemas que a sociedade ainda não se deu conta que tem. A ideia é impactar a sociedade positivamente para a gente ganhar valor e qualidade de vida", disse.

O piloto mora em Mônaco, mas tem passado a quarentena no Brasil. Ele está envolvido principalmente com o último projeto lançado. Na semana passada, Di Grassi e técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) visitaram vagões do metrô em São Paulo para testar um equipamento desenvolvido pelo piloto. Trata-se de um emissor de luz ultravioleta (UV) com capacidade de esterilizar superfícies. O objetivo é utilizar o canhão de luz como uma forma mais fácil de se sanitizar espaços públicos.

A ideia do equipamento veio após a leitura de artigos científicos. O resultado dos testes sairá nos próximos dias e a tendência é que o aparelho seja utilizado nos espaços públicos em breve. "A utilização de luz UV é comum em hospitais de outros países. Mas no Brasil ainda era muito caro, na média uns R$ 50 mil. Com uma empresa parceira, fizemos uma máquina que custa R$ 8 mil", explicou.  

A luz se mostrou eficiente no primeiro teste. O cuidado especial na aplicação é somente com a pele e com os olhos. Segundo o piloto, a tecnologia pode ser utilizada em mercados, banheiros públicos, ônibus e hospitais e poderá substituir métodos tradicionais e mais trabalhos de limpeza.

Antes do equipamento de luz, Di Grassi havia lançado na quarentena uma vaquinha virtual para a compra de insumos contra a pandemia. Após arrecadar cerca de R$ 155 mil em doações, o piloto teve a ideia de utilizar o valor para confeccionar em impressoras 3D até 5 mil máscaras de proteção, conhecidas como face shields. Os beneficiados foram profissionais que atuam em asilos e precisam de materiais para evitar contaminar os idosos.

O piloto afirma que o gosto por empreender vem desde cedo. Di Grassi foi um dos criadores da Fórmula E, é diretor executivo da Roborace, uma corrida para carros autônomos, e atua como embaixador para meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU). No passado, correu pela Fórmula 1, desenvolveu aplicativos e foi sócio de uma equipe de Fórmula 2. "Desde pequeno, no kart, gostava de preparar os meus motores e de desenvolver peças diferentes que queria usar", afirmou. "Acredito que inovação e tecnologia trazem melhoria da qualidade de vida e deixam tudo mais acessível para as pessoas comprarem", disse.

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