De volta à pole, Barrichello prefere manter pés no chão

Depois de quebrar um jejum de quatro anos sem marcar uma pole position e de ver seu companheiro de equipe e adversário pelo título, Jenson Button, bem atrás no grid do Grande Prêmio do Brasil, Rubens Barrichello adotou a tática de manter os pés no chão para a corrida de domingo.

CAMILA MOREIRA, REUTERS

17 de outubro de 2009 | 20h14

Numa sessão de classificação bastante complicada e cheia de atrasos devido à chuva, o piloto da Brawn garantiu o primeiro lugar -- sua 14a pole na carreira e a terceira no Brasil - e ainda pôde comemorar o 14o lugar de Button, que precisa chegar em 3o no Brasil para conquistar o título com uma prova de antecedência.

"Eu adoraria largar da frente e aqui estou, e agora não tenho ninguém à frente, então posso ter uma corrida perfeita. Eu sabia que o carro era competitivo, mas estou mantendo os pés no chão já que ainda não vencemos nada", disse o brasileiro a jornalistas, usando o chavão que repetiria pelo menos mais três vezes na entrevista.

Vice-líder do Mundial, Barrichello está 14 pontos atrás de Button e precisa vencer a corrida de domingo para manter vivas as suas chances de conquistar o título e levar a decisão para Abu Dhabi. Sebastian Vettel, da Red Bull e o único outro ainda com chances no campeonato, 16 pontos atrás de Button, largará da 16a posição.

Barrichello ficou muito perto de não conseguir avançar para a terceira etapa do treino classificatório, assim como aconteceu com Button, porque a Brawn optou por usar no Q2 os pneus para chuva, o que acabou deixando-o mais lento em relação aos adversários com pneu intermediário. No sufoco, o brasileiro avançou em décimo, a última posição possível.

Na parte final, ele fez a volta mais rápida desbancando Mark Webber, da Red Bull, e Adrian Sutil, da Force India, que vão largar em 2o e 3o, respectivamente.

"LIMITE"

"Estávamos no limite no Q2 e deveríamos ter optado pelos intermediários, mas tivemos sorte suficiente para conseguir. Será uma ótima noite de sono, mas ainda precisamos conseguir tudo amanhã", disse ele, alertando que a diferença para conquistar a pole pode ter sido a quantidade de combustível no carro.

"Pode ser que tenhamos menos combustível do que eles, mas é muito melhor começar na frente e ter o seu próprio ritmo de corrida do que ficar no meio do pelotão", acrescentou o brasileiro, que em 17 anos de carreira nunca venceu correndo em casa.

O chefe da equipe, Ross Brawn, que era o diretor técnico da Ferrari quando Barrichello conquistou sua última pole, em 2004, justamente em Interlagos, elogiou a atuação do brasileiro.

"Um trabalho fantástico de Rubens, realmente muito bom", disse Brawn a repórteres. "Acho que ele está guiando até melhor do que na Ferrari. Talvez a oportunidade de não ter Michael (Schumacher) ao lado abriu espaço para ele."

Devido às idas e vindas da chuva, a sessão de classificação durou um total de 2 horas e 41 minutos e foi recheada de derrapadas, saídas de traseira e até acidentes. E a chuva promete voltar no domingo.

Para Barrichello, sua única opção na corrida será partir para cima, e tentar não se preocupar com o que acontece ao seu redor.

"Eu não estou olhando o que está acontecendo do lado. Estou apenas me concentrando em mim, então vou correr o máximo que puder e quando a corrida terminar, vou ligar o rádio e ver onde Jenson e Sebastian (Vettel) terminaram".

(Edição de Pedro Fonseca)

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