Depoimento de Nelsinho Piquet confirma farsa, diz site

A tese de que Nelsinho Piquet bateu deliberadamente no GP de Cingapura de 2008, com a intenção de ajudar o companheiro Fernando Alonso, ganhou mais força nesta quinta-feira. O site especializado F1SA publicou um suposto depoimento do piloto brasileiro à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em que Nelsinho admite ter forçado um acidente a pedido da Renault.

AE, Agencia Estado

10 de setembro de 2009 | 14h17

A veracidade do documento ainda não foi confirmada por Nelsinho Piquet, pela Renault, ou pela própria FIA. Mas as informações divulgadas fazem sentido se confrontadas com o que as revistas Autosport e Autosprint publicaram sobre o caso. Ademais, a cópia publicada pelo site tem até mesmo uma assinatura que seria do piloto brasileiro.

"Durante o GP de Cingapura, realizado no dia 28 de setembro de 2008, fui convidado pelo sr. Flavio Briatore (...) e pelo sr. Pat Symonds, diretor técnico da mesma equipe, a bater deliberadamente meu carro, a fim de influenciar positivamente o desempenho da Renault no evento em questão. Concordei com esta proposta e conduzi meu carro para acertar o muro, provocando um acidente entre as voltas 13 e 14", teria dito Nelsinho.

A proposta, segundo o brasileiro, foi feita em uma reunião antes da corrida. No fim das contas, a estratégia deu certo, e Alonso - que não estava entre os favoritos naquele fim de semana - acabou vencendo a prova, a primeira corrida noturna da história da Fórmula 1.

No suposto depoimento, Piquet conta que estava "em um estado mental e emocional muito frágil". Ainda segundo o brasileiro, "este estado de espírito foi provocado pelo estresse intenso causado pelo fato de que o sr. Briatore se recusou a informar da existência da renovação do contrato para 2009".

Segundo Piquet, até mesmo o local da batida teria sido planejado. "Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata da pista onde eu deveria bater. Ele também me disse em que volta exata, eu deveria provocar o incidente."

A Renault usou o acidente a favor de Alonso. O espanhol começou a corrida com menos combustível que os rivais e ganhou posições. Logo depois de fazer sua parada nos boxes, ele beneficiou-se da entrada do safety car - justamente devido à batida de Nelsinho - para ficar em boa posição e vencer a prova.

No suposto depoimento, Nelsinho diz que um de seus engenheiros chegou a questionar a natureza da batida. "Ele achou incomum, e respondi que tinha perdido o controle do carro. Acredito que um engenheiro inteligente notaria que os dados de telemetria indicariam que o acidente foi causado de propósito", afirmou o piloto.

O documento publicado pelo F1SA data do dia 30 de julho, quatro dias depois do GP da Hungria, o último do piloto pela Renault. A FIA está reunindo evidências para julgar a Renault no dia 21 deste mês. Caso seja culpada, a equipe deve sofrer uma punição severa, podendo até ser excluída da Fórmula 1.

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