Desafio de samurai

O funcionário do Hotel Marriott Riviera, fã de Alonso ainda dos tempos de Ferrari, não resistiu ao ver o espanhol tomando um café junto com mecânicos da McLaren no bar do saguão. Ele tinha de chegar perto para desejar boa sorte, e ainda gastou seu inglês bem pronunciado para passar a mensagem ao ídolo. Alonso foi até simpático, o que não é muito comum, e respondeu mais com gestos do que palavras: “Vou fazer o que puder”.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2015 | 03h00

Esta é a situação real que ele vive na atual fase difícil da McLaren, depois de ter feito tudo o que podia para abandonar a Ferrari um ano antes do fim de seu contrato. Mas o papel que Alonso desempenha quando está no ambiente de trabalho é diferente. Ele disse aos jornalistas no paddock de Mônaco que a evolução da Ferrari este ano não é tão grande como andam dizendo, e que a vice-liderança no campeonato de construtores se deve mais à queda das rivais Red Bull e Williams. Quem conhece bem Alonso não esperava outra atitude. Para Felipe Massa, que conviveu com ele nos últimos cinco anos, o espanhol tinha de inventar alguma desculpa para justificar a mudança de equipe.

Ninguém duvida que a dupla McLaren-Honda vai encontrar o caminho em breve. Estamos ainda na sexta etapa do campeonato e o carro que mal conseguia sair dos boxes na primeira do ano (Austrália) já disputa posição no meio do grid. E fez até um oitavo lugar no treino livre da quinta-feira, com o próprio Alonso, que se encheu de razão e tornou público mais um dos ensinamentos que, há três anos, ele vem extraindo da história dos samurais japoneses. A frase está lá no seu twitter (@alo_oficial): “Um samurai aceita tudo como desafio, um homem comum recebe tudo como benção ou maldição”.

Aqui a sexta-feira é dia de descanso para os pilotos da Fórmula 1. Mas boa parte deles aparece no circuito para ver a corrida da GP2, que foi vencida pelo belga Stoffel Vendoorne, piloto reserva da McLaren na F-1. André Negrão, com problemas, terminou em 21.º. Antes disso, outros dois brasileiros, Pietro Fantin e Bruno Bonifácio, companheiros na equipe Draco, que pertence a Guto Negrão, estiveram na pista para mais um treino livre da World Series Renault 3.5.

Hoje a F-1 faz o último treino livre e a classificação. Largar na pole position vale muito em um circuito apertado como este. Desde 2004, apenas uma vez (2008) o pole não venceu a corrida. Foi assim que Rosberg venceu as duas últimas edições.

Mas Hamilton parece ter ficado enfurecido com tudo o que leu e ouviu na mídia depois de ter sido derrotado pelo companheiro duas semanas atrás na Espanha. Bastou os dois se reencontrarem na pista, em Mônaco, para ele arrasar o alemão, que entra na classificação de hoje com uma pressão de quase um segundo nas costas. É uma diferença muito grande.

Hamilton vai fazer todo o possível para impedir uma reação de Rosberg no campeonato, começando pela conquista de uma pole que, em nove anos de carreira, ele nunca conseguiu. E como ela deve ser mesmo disputada entre os dois pilotos da Mercedes, o alemão é a zebra, tanto hoje como amanhã. Mas numa corrida que tende a ter muito “safety car”, estratégia e sorte podem fazer a diferença. É aí que está a esperança de Rosberg em se tornar o quarto piloto da história a vencer três vezes consecutivas em Mônaco, e ficar em ótima companhia na estatística. Apenas Graham Hill, Alain Prost e Ayrton Senna conseguiram isso. O brasileiro ganhou cinco seguidas.

Felipe Massa tem um retrospecto razoável em Mônaco, com dois pódios e uma pole, mas nunca venceu. Para Felipe Nasr é uma estreia, embora ele conheça a pista por seus três anos de GP2.

O GP de Mônaco é o que mais exige equipamentos de segurança, como 21 quilômetros de guard-rails, perto de 2.300 pneus e 700 metros de barreiras de plástico flexível, 743 extintores de incêndio (um a cada 15 metros), 248 postos de comunicação por rádio e nove guindastes para retirar carros parados na pista. É um grande espetáculo, num palco que demora um mês para ser montado. 

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