Desempenho da Red Bull assusta cada vez mais a concorrência na Fórmula 1

Pilotos adversários admitem ser difícil tirar o favoritismo de Sebastian Vettel em Cingapura

Livio Oricchio, enviado especial, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2013 | 16h58

CINGAPURA - Desde que a Fórmula 1 voltou das férias, no fim de agosto, a Red Bull está invicta: foi primeira em tudo nas duas provas disputadas. Sebastian Vettel largou na pole position no GP da Bélgica e da Itália e venceu as duas corridas. Nesta sexta-feira no circuito Marina Bay, em Cingapura, a hegemonia demonstrada em Spa-Francorchamps e Monza foi ratificada. Ou melhor, as características do circuito, mais exigente quanto à pressão aerodinâmica, ao que parece potencializaram ainda mais as qualidades do modelo RB9-Renault.

“Não sei se será possível lutar com Sebastian”, disse Lewis Hamiton, da Mercedes, piloto que costuma ser ainda mais brilhante nas pistas de rua, como a de Cingapura. A dúvida do inglês campeão do mundo de 2008 procede: Vettel foi o mais veloz na sessão da tarde, com um tempo 1 segundo e 9 milésimos melhor que o do companheiro de Hamilton, o alemão Nico Rosberg, terceiro, e 1 segundo e 119 milésimos que o de Hamilton, quarto.

Para atestar o momento da Red Bull, Mark Webber, apesar de se dizer desestimulado, pois abandonará a Fórmula 1 no fim do campeonato, obteve o segundo tempo, 604 milésimos mais lento que Vettel.

O circuito asiático tem 5.065 metros, 23 curvas e poucas retas. E é na diferença de velocidade nas curvas que Vettel mais consegue impor sua vantagem para os adversários. “Eles geram muita pressão aerodinâmica, não vejo como vencê-los aqui”, disse Fernando Alonso, da Ferrari, apenas sexto, 1 segundo e 442 milésimos atrás de Vettel, impensavelmente grande para a Fórmula 1.

Sua Ferrari tinha novo aerofólio dianteiro dentre outros componentes. “Disse que o verdadeiro teste para nós, ou seja, o quanto avançamos na geração de pressão aerodinâmica, seria aqui, pois Monza é uma pista onde adotamos pouca pressão”, explicou o espanhol. “E foi duro constatar que voltamos à situação da Hungria, onde ficávamos atrás não apenas da Red Bull, como da Mercedes, Lotus e até McLaren. Temos carro agora para sermos sétimo, oitavo.”

Rosberg acredita que nem tudo está perdido no GP de Cingapura. “Na Hungria também começamos mais lentos que a Red Bull, mas em condição de corrida estávamos muito rápidos.” De fato, Hamilton aproveitou a pole position estabelecida no braço, por conta de sua enorme competência, e mesmo dispondo de um carro um pouco mais lento não foi atacado por Vettel. As circunstâncias da competição também ajudaram o inglês.

Mas o carro da Red Bull na Hungria não tinha os avanços incorporados na Bélgica, concebidos, principalmente, para receber os novos pneus Pirelli, de características semelhantes aos do ano passado, muito bem aceitos pelo modelo da escuderia austríaca, a ponto de Vettel ter sido campeão pela terceira vez.

“Esses novos pneus fletem (dobram) menos as paredes, são de construção mais robusta, o que faz com que o assoalho do carro varie menos sua altura, aumentando a geração de pressão aerodinâmica”, explicou ao Estado o engenheiro de uma equipe, sem poder se indetificar. “Esses pneus deixaram o carro mais próximo das características originais do projeto, daí de Spa para cá o carro parecer voar.”

A Pirelli foi obrigada a repensar sua estratégia de pneus, este ano, depois de na corrida de Silverstone os times não respeitarem a orientação de pressão e ajuste das suspensões e cinco pneus dechaparem. “Voltamos aos pneus construídos com kevlar e vez dos com fios de aço”, disse Paul Hembery, diretor da Pirelli.

Mas além dos novos pneus, Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, promoveu uma série de pequenas alterações que tornaram o modelo RB9 ainda mais veloz e equilibrado. Hembery contesta a ideia de que a supremacia de Vettel se relacione aos novos pneus. “Ele já era líder antes da mudança e continuou líder.”

Como disse Hamilton, nesta sexta-feira, a Mercedes, a equipe que sugere possuir potencial para chegar perto da Red Bull, tomando-se como exemplo o ocorrido na Hungria, pode melhorar o carro em Cingapura. “Temos mais o que tirar dele, mas não sei se será possível lutar com Vettel.”

O alemão soma depois de 12 etapas 222 pontos seguido por Alonso, 169, e Hamilton, 141. Kimi Raikkonen, da Lotus, quarto, tem 134. O finlandês foi oitavo nos treinos livres, 1 segundo e 529 milésimos mais lento de Vettel. Felipe Massa, da Ferrari, fazendo testes com novos componentes e acerto do carro, não foi além da 15.ª colocação, a impensáveis 2 segundos e 621 milésimos de Vettel.

Os carros volta à pista, agora, neste sábado pela manhã, para a última sessão livre, das 7 às 8 horas. A classificação começará às 10 horas, horários de Brasília.

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