Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Di Grassi quer popularizar categoria no País

Piloto, que disputou o mundial de Fórmula 1 em 2010, diz que as corridas de longa duração vão conquistar os brasileiros

Amanda Romanelli,

14 de setembro de 2012 | 09h32

Promotor das 6 Horas de São Paulo, a única etapa latino-americana do recém-criado Mundial de Endurance, Emerson Fittipaldi deixou claro que quer aproximar o público brasileiro das provas de longa duração. E, para isso, era importante um piloto conhecido para representar o País na prova. A honra coube a Lucas Di Grassi, que disputou a Fórmula 1 em 2010 pela equipe Virgin e fará amanhã, a partir do meio-dia em Interlagos, sua estreia em provas endurance.

O paulistano de 28 anos, agora piloto de testes da Pirelli, foi convidado a guiar um Audi, montadora que já garantiu o título de construtores e tem entre seus pilotos os líderes da competição. Di Grassi dividirá o carro número 2 da montadora alemã na categoria de protótipos (LMP1) com o escocês Allan McNish e o dinamarquês Tom Kristensen, maior campeão da história das 24 horas de Le Mans, com oito títulos. A dupla lidera o Mundial, que já teve etapas nos circuitos de Sebring (EUA), Spa-Francorchamps (Bélgica), Le Mans (França) e Silverstone (Inglaterra).

“É algo novo para mim, que nunca disputei uma corrida de longa duração”, conta Di Grassi. “E começar com uma equipe tão importante quanto a Audi, que venceu praticamente todas as provas deste ano, pilotando no Brasil, é mais do que uma honra. Acho que é um sonho realizado.”

Di Grassi adota uma postura humilde. “Aqui, sou um rookie (iniciante). Ainda preciso aprender muito para conseguir um resultado mais satisfatório.” Com protótipos, fez apenas testes e, admite, em um período que não acredita ser suficiente. Para ganhar a chance de pilotar cerca de duas das seis horas do Audi R18 Ultra, fez um teste no início do mês no circuito de Lausitzring, na Alemanha.

O carro em que Di Grassi correu nos treinos livres, ontem, e hoje disputa a classificação, pode alcançar os 350 km/h em uma reta e o piloto ainda tenta se acostumar às suas especificidades. “Tem ainda a troca de pilotos (que não pode durar mais do que 20 segundos), o acerto do carro, a economia de combustível, o tráfego durante a prova - porque são carros de diferentes velocidades - e as ultrapassagens. É muita coisa nova.”

O ambiente familiar e descontraído das provas de endurance, em que o torcedor se sente próximo de pilotos e carros, é um ponto a favor para o piloto. Para Di Grassi, a categoria tem tudo para conquistar os brasileiros. “O público é diferente em relação à Fórmula 1. É aquela pessoa que vem, sabe a história do carro, do motor, é um apaixonado. É uma categoria mais humana.”

Como todo garoto brasileiro interessado por automobilismo, Di Grassi tinha um sonho quando criança: correr na Fórmula 1, diretamente influenciado por Ayrton Senna. Mas, ao se tornar profissional, começou a prestar atenção em outras categorias. Di Grassi afirma, agora, que gostaria de ser o primeiro brasileiro a vencer a tradicional 24 horas de Le Mans - Raul Boesel chegou perto ao conquistar o 2.º lugar em 1991. “Eu corri um ano na Fórmula 1 e meu sonho foi realizado. Agora, meu próximo passo é trazer algum título importante para o Brasil. E um brasileiro nunca ganhou Le Mans, é a única prova importante em que nenhum brasileiro ganhou. Espero ter condições de fazer isso.”

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