Valdrim Xhemaj/EFE
Valdrim Xhemaj/EFE

Dificuldade de adaptação ao motor híbrido é outro obstáculo para a Ferrari na F-1

Propulsor deste tipo foi adotado em 2014, ano em que a Mercedes iniciou seu domínio na categoria

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 04h30

Se por um lado a Ferrari não conseguiu projetar um carro que extraia o melhor desempenho com os atuais pneus da Pirelli, por outro a Mercedes tem como outro importante trunfo em relação à rival italiana a sua melhor adaptação aos motores híbridos na Fórmula 1, que foram adotados a partir de 2014, ano em que a equipe alemã iniciou o seu domínio na categoria.

Esta mudança dos propulsores, que passaram a ser V6 turbo, foi aprovada por todas as equipes. E dois dos especialistas ouvidos pela reportagem do Estado consideram que foi um erro a Ferrari ter aceitado essa modificação, pois o time que hoje lidera o grid também começou a investir no desenvolvimento deste tipo de unidade de potência antes da escuderia italiana.

“Certamente, para mim, o ponto de ‘no return’ para a Ferrari foi ter aceitado a adoção do motor híbrido”, disse o jornalista Claudio Carsughi, que há décadas é um dos maiores especialistas em F-1 da imprensa brasileira. E ele depois ressaltou: “Antes eu achava que a Ferrari iria conseguir fazer bem essa unidade híbrida, mas isso não aconteceu, ao passo que a Mercedes já trabalhava há um ano e meio com isso”.

Max Wilson, piloto da Stock Car, também destacou sobre o assunto: “Desde 2014, quando a F-1 passou a ter motores híbridos, a Mercedes passou a ter um desempenho muito superior as dos carros das outras montadoras. De lá para cá, todas as equipes tiveram uma evolução muito grande no desenvolvimento dos motores, mas a Mercedes ainda tem uma superioridade".

E Wilson vê a Ferrari “desequilibrada”, pois o fato de hoje ter o carro considerado o mais rápido em retas no grid da F-1 é atrapalhado pela falta de eficiência para contornar as curvas com os atuais pneus da Pirelli, que demoram mais para aquecer e exigir maior força aerodinâmica para trabalharem em uma temperatura ideal. E esta é uma deficiência do atual monoposto da equipe italiana.

“O projeto do carro da Ferrari prioriza mais velocidade em reta e consequentemente isso sacrifica a questão da aerodinâmica, mas também é preciso ter velocidade de curva e achar um ponto de equilíbrio ideal”, enfatizou.

Com o cenário atual, Carsughi e o ex-piloto de testes da Ferrari Luciano Burti, hoje comentarista da TV Globo, creem que a Mercedes deve ganhar com facilidade os Mundiais de Pilotos e Construtores de 2019. “Talvez esta será uma das melhores temporadas do Hamilton, e para mim ele já é o campeão. É impossível que ele perca o título. Poderia perder apenas para o Bottas, mas ele não está no mesmo nível do inglês”, disse Carsughi.

Ao ser questionado se o time alemão vai “sobrar” contra os seus rivais até o fim do ano, Burti respondeu: “Infelizmente, acho que sim. Não torço contra a Mercedes, mas torço pelo esporte. Só em Monza (palco do GP da Itália) eu vejo a Ferrari com maiores chances de vencer uma prova neste ano. Uma outra vitória seria mais por um azar ou um final de semana ruim da Mercedes”.

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