Ecclestone defende monopólio de pneu

De repente, os fabricantes de pneus de Fórmula 1 viraram os vilões da história. Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, afirmou para quem desejasse ouvir, sem preocupar-se se estava ou não ferindo alguém, que gostaria de ver um único fornecedor de pneus na competição. Em seguida propôs no pacote planejado em conjunto com Max Molsey, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), liberdade para Bridgestone e Michelin produzirem, a partir de 2003, pneus distintos para suas equipes. Os objetivos são claros: primeiro que a Michelin construa pneus especiais para a Williams e a McLaren, a fim de lhes dar maiores chances de enfrentar a Ferrari, único time de ponta da Bridgestone e organização onde os japoneses concentram quase todas as suas atenções. Ficou provado que esse tipo de relação é bastante favorável à equipe e ao fabricante de pneus, conforme atesta a relação Ferrari-Bridgestone. Mas no fundo mesmo, o que Ecclestone e Mosley desejam é que um ou outro fornecedor de pneus repense sua estratégia com a Fórmula 1, baseada nos custos exigidos pelo investimento, e resolva abandonar a competição. Seria uma garantia de maior equilíbrio, causa de toda a iniciativa da FIA. A Goodyear deixou a Fórmula 1 no fim de 1998 porque no ano anterior a Bridgestone entrou no Mundial, o que obrigou os norte-americanos a duplicarem o que gastavam para fornecer seus times. A disputa conduz à necessidade de pesquisar e construir pneus novos a cada etapa. De um ano para o outro, essa concorrência se responsabiliza pelo aumento de desempenho médio de dos segundos, o que é muito. Em conjunto com a elevação exponencial dos custos, há uma sensível redução da segurança. Quem duvida de que a Ferrari perderia parte significativa de sua vantagem técnica, em especial nas corridas, se passar a competir com os pneus Michelin em vez dos Bridgestone? Ou de que Williams e McLaren se aproximariam e bem da Ferrari caso usassem os pneus Bridgestone? Ecclestone questionou recentemente o que havia em comum entre a Ferrari que ganhou a etapa de abertura do Mundial, na Austrália, e o fantástico modelo F2002, utilizado pela primeira vez no GP do Brasil, terceiro do ano. "Os pneus" disse ele, como uma prova de que parte do avanço da Ferrari decorre dessa especificidade de trabalho entre italianos e japoneses. Frank Williams, da Willians, e Ron Dennis, McLaren, já compreenderam esses benefícios e já até estudaram um acordo. As duas equipes vão trabalhar juntas, nos testes, para ajudar o desenvolvimento dos pneus Michelin. Isso quer dizer que parte do conhecimento de como funcionam as suspensões dos dois modelos 2003 será compartilhado entre técnicos da Williams, McLaren e Michelin. A iniciativa deve diminuir as diferenças causadas por pneus entre Ferrari e as duas escuderias. Mas o ideal para Ecclestone seria mesmo que Ferrari, Williams e McLaren competissem com os mesmos pneus.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.