Ecclestone festeja sucesso em Barcelona

Enquanto o fantástico público nas arquibancadas não parava de se manifestar, em festa, neste sábado no Circuito da Catalunha, durante a primeira sessão classificatória, Bernie Ecclestone, o grande responsável pela Fórmula 1 ser o que é, dizia: "Que maravilha, antes os espanhóis vinham aqui apenas para assistir às corridas de motos." Ainda mais torcedores, 110 mil, são esperados na pista de Barcelona, neste domingo, para o GP da Espanha, quinta etapa do Mundial. "Foi Fernando Alonso quem fez essa transformação", afirmou Ecclestone. O ensinamento de Barcelona é claro para o principal dirigente da Fórmula 1: "Estamos tendo uma prova de que as pessoas não se interessam se o motor atinge 19.000 rpm. Eles querem é torcer por seus ídolos, heróis, como Alonso para essa gente." O inglês de 74 anos, quarta maior fortuna da Inglaterra, comenta: "Espero que os diretores de equipes compreendam bem esse fenômeno e saibam como conduzir melhor a definição dos regulamentos do nosso espetáculo." Ecclestone se refere ao "puritanistas", como os chama, que pensam ser ruim para a competição estabelecer algumas regras que, mesmo limitando a tecnologia, permitem mais emoção nas corridas. "É preciso um equilíbio, concordo. Não podemos e nem devemos fazer dos carros de Fórmula 1 veículos com menos tecnologia que os de série, mas não há mais como não frear essa escalada tecnológica." Criticou, abertamente, sem citar nomes, a postura de várias responsáveis pelas equipes. "Estou tentando aprovar, convencê-los de que se reservarmos as sextas-feiras para testes particulares, seis horas, por exemplo, será bom para todos." Como as equipes já estarão nos circuitos onde vão disputar os GPs, seria uma importante economia, além de permitir ao público acompanhar seis horas de carros na pista, argumenta. Cada escuderia teria direito, ainda, a 10 dias de treinos particulares ao longo da temporada. O presidente da FIA, Max Mosley, reconheceu ter sido um erro até grosseiro o atual formato do sistema de classificação, com uma sessão no domingo pela manhã. "Precisamos que todos concordem conosco para mudar e estou enfrentando resistência", explica Ecclestone. Depois sentencia: "Como já disse outras vezes, o excesso de democracia acaba por fazer mal à Fórmula 1. Nesse momento, por exemplo, uma mudança seria bem vinda, seria de interesse de todos, e quem consegue alterar alguma coisa?" Mosley envereda até pelo anacronismo do Acordo da Concórdia, que exige unanimidade dos votos para se mexer no já estabelecido. "A partir de 2008, quando um novo Acordo irá reger as relações entre os times, tenha a certeza de que as normas para se acrescentar ou retirar algo e mudar o regulamento funcionarão de maneira bem distinta." A unanimidade dos votos tem os seus dias contados, faz prever Mosley. As páginas e páginas dedicadas ao futebol, sempre no início dos cadernos de esportes dos jornais espanhóis, As, Marca, El Mundo, El Pais, Mundo Deportivo, apesar da febre de Fórmula 1 que toma conta do país, por conta do sucesso de Alonso - venceu as três últimas etapas do campeonato -, levou a imprensa a questionar Ecclestone. "Estive próximo de adquirir o Chelsea", disse, confirmando o que já dissera aos jornalistas ingleses. "Eu e Flavio Briatore (diretor da Renault) estudamos em detalhes as vantagens e os riscos do investimento, de entrar nos negócios do futebol." Quem acabou por adquirir o clube inglês, em 2003, foi o russo Roman Abramovich. "Não creio que seria a melhor idéia que já tive", afirma o inglês.

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