Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Em Interlagos, Verstappen só tem um amigo: o carro

Holandês vive desde os três anos em autódromos e troca tudo pelo prazer de pilotar

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2016 | 07h00

Max Verstappen não conserva amigos do tempo de escola, muito menos contatos com ex-vizinhos, tampouco namoradas. O holandês de 19 anos gosta de viver em ambiente recluso, dedicado à obsessão pelo automobilismo, numa espécie de refúgio para o piloto mais jovem da história da Fórmula 1 continuar focado para mostrar que tem um talento extraordinário.

O piloto da Red Bull concedeu entrevista exclusiva ao Estado no paddock de Interlagos e mostrou confiança para continuar a derrubar as críticas que recebeu pela precocidade na carreira. “No futuro, eu quero ser lembrado pelos títulos que ganhei na F-1, não por ter sido o mais jovem a correr”, afirmou. 

Sonhar com título não é devaneio do holandês. Em março do ano passado, o piloto estreou na categoria aos 17 anos, menor idade de um corredor na história. A Toro Rosso apostou em um garoto menor de idade que, de um ano para outro, saltou dos 240 cavalos de potência dos carros da Fórmula 3 Europeia aos 720 cavalos da Fórmula 1.

Os demais pilotos temeram a falta de experiência do novato. A própria categoria reagiu aos apelos. Depois da estreia de Verstappen, a Fórmula 1 passou a exigir que os estreantes tivessem no mínimo 18 anos e currículo em categorias anteriores. Os requisitos barrariam o piloto holandês de entrar no grid.

“As regras para a entrada deveriam ser abertas e regidas pelo talento, não pela idade. Infelizmente, não posso interferir nisso”, critica o piloto. 

Filho do ex-piloto Jos Verstappen e de Sophie Kumping, que competiu no kart, Max esteve pela primeira vez em um autódromo aos três anos. “Meus amigos de infância são todos pilotos. Não tive amigos fora do automobilismo”, contou ao Estado, para justificar o quanto está acostumado ao ambiente.

Aos poucos, o holandês tem derrubado as dúvidas sobre a sua capacidade de guiar. Só restam questionamentos acerca do estilo agressivo. O acontecimento do ano para ele foi ser promovido da Toro Rosso para a Red Bull antes do GP da Espanha. Logo na primeira prova no novo time, ganhou e se tornou o mais jovem vencedor da F-1.

Por outro lado, bateu sozinho em Mônaco, na corrida seguinte, e, na última etapa, no México, foi punido por ter cortado uma curva. “Se fosse para definir meu estilo de pilotagem, diria que estou mais para o agressivo do que para o piloto conservador”, resumiu.

Referência. De alvo de desconfiança, o holandês virou exemplo. Verstappen afirmou que a presença dele no grid comprovou o quanto as equipes podem confiar em jovens. Para o próximo ano, por exemplo, a Williams apostou no canadense Lance Stroll, de 18 anos, como substituto de Felipe Massa.

“Eu abri as oportunidades para outros teens. Sirvo como prova de que mesmo jovem você pode chegar aos seus objetivos na categoria”, defendeu.

Os pretendentes a entrar na Fórmula 1 nos próximos anos costumam procurar o piloto para obter dicas, mas Verstappen diz não poder contribuir com ensinamentos porque é mais novo do que seus seguidores.

O foco na velocidade o faz ignorar o que se comenta sobre ele no meio. “Eu evito acompanhar a mídia. Não vai me ajudar em nada. Só vai me perturbar”, esclarece. Na passagem pelo Brasil, só a gastronomia tira a atenção do piloto da prova. Poder jantar em uma churrascaria é uma exigência prévia.

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