Em reunião, F-1 e FIA indicam motores mais baratos e mais barulhentos para 2021

Mudanças podem abrir caminho para novas equipes e fornecedoras

Estadão Conteúdo

31 Outubro 2017 | 13h54

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), os novos executivos da Fórmula 1 e representantes das equipes iniciaram nesta terça-feira as discussões sobre as mudanças nos motores da categoria a partir de 2021. Neste ano, o campeonato deve contar com uma nova geração de unidades de potência. E, segundo as primeiras indicações destas entidades, o motor deve ser mais simples, mais barato e mais barulhento.

+ Blog do Wagner Gonzalez: Começa uma nova temporada...

+ Com tetra garantido, Hamilton já projeta 'desafios' para temporada 2018 da F-1

"Escutamos os fãs para saber o que esperam do futuro próximo da Fórmula 1, com o objetivo de definir as novas regras, e ouvimos que a unidade de potência deve ser mais simples, mais barata e com mais barulho", disse Ross Brawn, diretor esportivo da F-1.

 

O objetivo destas mudanças é tornar as corridas mais atraentes para o público, e não somente pelo maior barulho dos carros. Os dirigentes esperam que motores mais baratos tornarão o orçamento das equipes mais baixos, o que abrirá a porta para surgirem novos times e fornecedores para a categoria. Como consequência, a chegada de novos atores no campeonato tornaria a disputa mais equilibrada entre as equipes.

"Podemos criar condições para facilitar a entrada de novos fabricantes na Fórmula 1, como fornecedores de unidades de potência, para alcançarmos um grid mais equilibrado no esporte", afirmou Brawn. A reunião desta terça contou com a presença de representantes de outras fabricantes que estão atualmente de fora da F-1, mas a FIA não confirmou os nomes. Sabe-se que Porsche, Aston Martin, Audi e Alfa Romeo teriam interesse em entrar na categoria.

Contribui para isso a possibilidade de redução dos custos na disputa do campeonato, através da criação de um teto orçamentário, que enfrenta forte resistência por parte das equipes mais tradicionais da F-1, como Ferrari e Mercedes.

Para Ross Brawn, a meta dos novos donos da categoria é tornar a F-1 mais competitiva e manter a disputa tecnológica, apesar da sugestão de criar um teto orçamentário. "A nova F-1 tem a meta de se tornar a competição esportiva número 1 do mundo, casada com o estado da arte da tecnologia", declarou.

Para tanto, FIA, F-1 e equipes esboçaram um motor mais simples para 2021 em diante. E seria muito parecido com o atual. Pelas conversas iniciais, a unidade de potência seria de 1,6 litro V6 turbo híbrido, com rotação ampliada para 3.000 rpm, com o objetivo de tornar os motores mais barulhentos.

Numa mudança significativa no motor, os sistemas de recuperação de energia seriam simplificados. O MGU-H seria eliminado e o MGU-K seria mantido, com a ideia de padronizar toda a recuperação. Outra possível alteração para o futuro é maior limite no uso de combustível, também com a meta de redução de custos.

Uma nova reunião deve aprofundar as discussões na terça-feira da semana que vem, novamente em Paris, às vésperas do GP do Brasil. As definições mais gerais para 2021 serão anunciadas no fim deste ano. As especificações só serão anunciadas no final de 2018, após novas discussões ao longo da próxima temporada.

A liberação das informações aos poucos é proposital. A FIA quer evitar que as equipes antecipem a produção dos seus motores, o que poderia causar novos desequilíbrios entre os times porque os mais ricos poderiam criar grupos de trabalho em separado para aprofundar as pesquisas sobre as novas gerações de motor.

Estas definições sobre as unidades de potência que abastecerão os carros da Fórmula 1 a partir de 2021 são as primeiras da F-1 depois da chegada dos novos donos, o Liberty Media. Portanto, devem dar boas indicações sobre a filosofia de trabalho do grupo norte-americano para os próximos anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.