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Engenheiro garante gasolina de Rubinho

A Ferrari promete caprichar nas contas dessa vez. Visivelmente envergonhado, o chefe do departamento de eletrônica da escuderia, o alemão Dieter Gundel, admitiu hoje, mais uma vez, o erro grosseiro da equipe no GP Brasil do ano passado, quando deixou o carro de Rubens Barrichello ficar sem combustível na 47.ª volta, tirando-o da corrida que liderava e tinha boas chances de vencer. Mas disse que agora será diferente. "O bom da Ferrari é que admitimos os erros que cometemos, e tentamos cometê-los uma só vez", disse Gundel, em entrevista em São Paulo. "Houve um problema no software que calcula o consumo de combustível. Agora, nós aumentamos a confiabilidade dele e esperamos que o erro não aconteça." Após o GP de 2003, a Ferrari também alegou falha no sistema de telemetria que afere os dados do veículo e os transmite aos boxes para justificar a pane seca. Mesmo assim, apesar do problema, a equipe tinha condições de fazer uma conta simples usando o consumo médio do carro e evitar o abandono do piloto brasileiro. Ninguém fez a conta, talvez por confiarem demais nos sistemas eletrônicos. Gundel, há duas décadas no automobilismo, conhece bem a dependência que as equipes passaram a viver. "Vi a evolução da eletrônica nos carros desde o início. Há 20 anos, eles eram apenas mecânicos. Hoje, dependem 100% da eletrônica", afirmou. "Antes, os mecânicos eram os últimos a deixar o autódromo. Hoje, eles vão embora por volta das seis da tarde e nós, os engenheiros, ficamos até meia-noite tratando os dados coletados." Segundo o alemão, a mudança gerou uma nova geração de pilotos. "O bom piloto de hoje é meio piloto, meio engenheiro. O Senna provavelmente foi um dos primeiros assim. Eu me lembro dele sentado na frente do monitor de telemetria", disse Gundel, que trabalhou com Senna na McLaren nas temporadas de 1991 e 92. Num Grande Prêmio, a Ferrari usa cerca de 30 computadores desktop e até 70 portáteis, além de 12 racks repletos de servidores de dados e um link direto com a sede da equipe, em Maranello, na Itália. Em apenas um domingo de corrida, o volume de dados processados chega a 1 gigabyte. "E esperamos sistemas capazes de dobrar ou triplicar esse número na próxima temporada", disse Gundel, em evento promovido pela AMD, patrocinadora e fornecedora dos equipamentos de informática da escuderia. Questionado se a supremacia da Ferrari na temporada também se reflete no plano da eletrônica, Gundel foi modesto. "Não sei, espero que sim. Trabalhamos nesse ano com um número muito baixo de falhas e a eletrônica é só uma parte disso. Sobre os outros eu não sei", diz ele. Após a largada, com todo o aparato montado, o papel de Gundel se resume a "ficar nos bastidores esperando uma catástrofe", segundo ele próprio. No domingo, espera-se que ele tenha pouco trabalho.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2004 | 18h41

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