Entrada da Penske traz mudanças à IRL

Ninguém admite abertamente, mas a chegada da Penske na Indy Racing League despertou o ciúme nos outros times, principalmente os considerados mais fortes. A entrada de um concorrente de peso na luta por vitórias e pelo título da temporada trouxe uma grande preocupação àqueles que já estavam na categoria. O problema é que a rica e poderosa Penske tem dinheiro de sobra para gastar no desenvolvimento de seu equipamento e, talvez, as outras equipes não consigam acompanhá-la. Um dos temores, o do aumento dos custos, já tornou-se realidade. Em 2001, o orçamento máximo de uma equipe foi de US$ 5 milhões. Este ano, segundo comenta-se abertamente nos boxes e paddocks, um time de ponta não gastará menos de US$ 8 milhões na temporada. Com maior concorrência (além da Penske, imigraram da categoria rival, a Indy, equipes como a Chip Ganassi e a MoNunn), os custos para se tornar competitivo aumentam. O desconforto específico com a Penske pôde ser notado durante a primeira etapa do campeonato, disputada sábado em Miami. O sinal foi dado por Eddie Cheever, ex-piloto de Fórmula 1 e da Indy e que atualmente corre na IRL, onde também tem uma equipe, a Cheever Racing. Depois dos primeiros treinos livres, quando seus carros (o dele e o do sul-africano Tomas Scheckter) ficaram à frente da Penske de Hélio Castro Neves e Gil de Ferran, Eddie aproveitou para atacar a rival. "Não é porque eles têm dinheiro que irão chegar aqui vencendo corridas. É preciso muito trabalho, e seus pilotos também precisam aprender muito sobre a categoria??, disse. Ele também aproveitou a participação em uma entrevista em que Helinho estava usando o anel que ganhou por ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis no ano passado, para insinuar que não era porque o brasileiro havia vencido a tradicional prova que iria ter moleza na IRL. Eddie Cheever deu as declarações com a "cara fechada??, demonstrando até um certo rancor. Helinho achou o veterano piloto (44 anos), um pouco "mal-humorado??, mas tentou evitar polêmica. "Eu estou sendo bem-recebido na IRL??, afirmou o brasileiro. Pouco depois, porém, admitiu que, nos autódromos, a presença da Penske causa desconforto. "Muitos ficam constrangidos, com receio de falar com a gente??, revelou. "O pessoal fica prestando a atenção no que estamos fazendo. E estamos apenas fazendo o nosso trabalho.?? Já Gil de Ferran não se alonga muito quando o assunto é a receptividade da categoria à Penske e seus pilotos. "É normal. É mais um rival para as outras equipes.?? Ainda é cedo - A Penske tem, efetivamente, condições de deixar os concorrentes para trás. Isso, porém, parece coisa para o futuro, pelo menos quando se pensa em supremacia. No momento, o "bicho-papão?? da IRL é a equipe Panther, campeã do ano passado com Sam Hornish Jr. e que começou 2002 impondo uma esmagadora derrota a todos os concorrentes. Hornish Jr. venceu sábado o GP de Miami com incrível facilidade - Gil foi segundo e Helinho, terceiro. O brasileiro Airton Daré, que negocia contrato com a Panther para disputar as 500 Milhas de Indianápolis, revelou o segredo da equipe. "Eles têm um programa de desenvolvimento fantástico. Trabalham direto com simulador de provas e, assim, vão para todas as pistas com um acerto quase perfeito. A conseqüência é que ganham um dia em relação às outras equipes??, explicou. "No primeiro dia de treino, eles já chegam com um nível de acerto do carro que os outros times só atingirão, se atingirem, no dia seguinte.?? Olho no futuro - Daré também tem a opção de correr durante toda a temporada pela A. J. Foyt, equipe que lhe deu um carro de última hora em Miami. Ele deve decidir na terça-feira se aceita o convite feito por Foyt ou se fica na superestrutura Panther.

Agencia Estado,

03 Março 2002 | 15h43

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