ENTREVISTA-Barrichello afasta imagem de perdedor e faz biografia

Dois anos depois de deixar a Ferrari,Rubens Barrichello ainda não digeriu certas situações que viveuna equipe italiana. Com 15 anos de experiência na Fórmula 1,ele diz entender a imagem de perdedor que muitas vezes se fazdele, mas promete contar em um livro histórias que vãoesclarecer muitas questões. Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, no autódromo deInterlagos, o piloto da Honda afirmou não acreditar que temfalta de sorte, e contou que está escrevendo, de próprio punho,sua biografia. "Estou no primeiro capítulo, sobre o kart...o capítulomaior vai ser o da Ferrari", disse ele, relembrando os seisanos em que correu ao lado do heptacampeão mundial MichaelSchumacher. Barrichello pode tornar-se no ano que vem o piloto commaior número de GPs disputados, ultrapassando Ricardo Patrese.Nesta temporada, entretanto, ele corre o risco de encerrartendo apenas um nono lugar na Inglaterra como melhor resultado,se não tiver um desempenho superior no Grande Prêmio do Brasil,no domingo. Veja a seguir os principais trechos da entrevista: "NASCI PARA ISSO" "Nunca quis ser o Ayrton (Senna) e nunca falei que queriaser o Ayrton. Eu sim sinto que nasci para fazer isso e tirei omelhor proveito da melhor maneira possível. O povo brasileironão sabe da história inteira de tudo que aconteceu em meus anosde Ferrari. Não estou aqui para choramingar, mas a minha visãoé que eu já teria sido campeão do mundo facilmente porque eutinha o melhor carro do grid. Ainda estou devagarzinhoescrevendo meu livro e vai acabar daqui uns 2, 3 anos. Nãoquero que 100 por cento do povo me ame, quero só contar arealidade." IMAGEM DE PERDEDOR "Não acredito que a minha imagem seja de perdedor. A imagemé sim diferente daquela do Ayrton Senna, de acordar e comcerteza ter a emoção da vitória. Eu estou longe de serperdedor, principalmente dentro das pistas, por tudo aquilo queeu conquistei. Eu não sinto na rua o que é escrito,sinceramente não sinto a rejeição que é passada como uma coisaque existe. É como um ator que está fazendo um ótimo papel, masé vilão. Muitas vezes as pessoas querem pegar ele na rua. Achoque de uma certa forma o esportista acaba sofrendo isso, porqueele está na televisão." "Mas eu entendo o ponto, também fico chocado quando oBrasil está para ganhar uma medalha, e falaram tanto -- porqueé isso que cria a expectativa.... Se falaram que vai ganhar 4medalhas e ganharam 3, já existe uma decepção. O Rubinho, tendoo melhor carro, porque não ganhou? Então participo dissotambém, e tento ter o coração aberto e responder." FALTA DE SORTE "Eu não consigo imaginar o Rubinho tendo falta de sorte,olha a vida que eu tenho. E não falo por dinheiro, (...), mas épor tudo que eu consegui. O próprio Felipe (Massa) hoje está naFerrari porque a porta foi aberta de certo modo por alguém queacho que fui eu. Não tenho mesmo como aceitar a fama de não tertido sorte." CONTRIBUIÇÃO PARA A F1 "Uma coisa que eu tenho certeza que (contribuí), para que aF1 pudesse ser um pouco mais aberta ao público, foi a (corridana) Áustria, quando eu tive que deixar o Michael passar (nalinha de chegada, em 2002). Isso fez com que as regras de hojefossem mais abertas, a FIA escuta o rádio. De uma certa forma,isso é uma contribuição. O esporte tem que ser muito aberto.Foram seis anos de luta, eu não quero nada melhor que você, masvocê me dá igual o que você tem, é isso que eu sempre quis daFerrari." F1 APÓS 15 ANOS "3, 4 anos depois você já passou por aquela euforia de'nossa que legal' para até começar a ficar cheio, porque ademanda de coisas que tem que fazer de eventos, compromissos, émuito grande. Eu aos 15 anos (de F1) já sei administrar bemambas as situações, então hoje tenho mais prazer do que emqualquer outro ano." ERROS DA HONDA "(O carro é ruim) porque houve uma falta de comunicação. (Opessoal da) parte aerodinâmica trabalhou muito separadamente daparte mecânica, do cara que faz o motor. O carro nasceu empedaços. Neste ano, apesar de tudo que a gente fez, só piorou.É o carro do começo do ano, quando todo mundo já evoluiu." OPÇÕES "Não parei para analisar (as opções quando o contrato com aHonda acabar em 2008), porque essa situação é como uma largada,se você colocar empecilhos na frente a coisa afunila demais. Seeu tiver a mente aberta, fazendo um bom trabalho, largando bem,as situações se abrem na minha frente, Então é dessa forma queeu vejo o futuro. Se o carro continuar do jeito que está e nãotiver outra opção, é hora de parar e os 16 anos de F1 na minhaopinião foram um sucesso. Se eu tiver o prazer que tenho hojede guiar, não quero parar."

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