Equipes começam a mostrar a cara da Fórmula 1 em 2006

Pode até ser que na etapa de abertura do Mundial de Fórmula 1, o GP de Bahrein, no dia 12 de março, os resultados não reflitam o que os testes da pré-temporada estão sugerindo. Afinal, treino é treino e corrida é corrida. Mas são boas as possibilidades de os ensaios encerrados na última sexta-feira, em Valência, reproduzirem com alguma fidelidade o atual momento de cada equipe. Há um consenso entre os pilotos: o modelo R26 da Renault é o mais rápido, constante e resistente até agora. O campeão do mundo, Fernando Alonso, estabeleceu, na sexta-feira, o melhor tempo dos quatro dias de testes, com a marca de 1m10s552. Com isso, parece provável que haverá uma repetição do início do último campeonato, quando a Renault dispunha do conjunto mais eficiente e abriu importante vantagem numérica sobre os adversários. Mas quem está mais perto da equipe francesa este ano não é a McLaren, como em 2005, e sim a Honda, de Rubens Barrichello e Jenson Button. Rubinho registrou o melhor tempo do primeiro dia de treinos, na terça-feira, e no segundo concentrou-se no desenvolvimento de pneus. Já Button exigiu tudo do modelo Honda RA 106, na quinta, e ficou perto da melhor marca de Alonso, com 1m10s907. ?É bom ver que nosso carro é competitivo?, afirmou Rubinho. O bom planejamento e o fôlego financeiro dos japoneses da Honda fizeram de seu time o que mais treinou, fora a Ferrari, desde o começo dos testes, em 28 de novembro: nada menos de 15 mil quilômetros. A Ferrari, por não ter assinado nenhum acordo de limitação de testes, foi a que mais trabalhou até agora na pré-temporada. Seus números não são disponíveis. O ensaio conjunto em Valência, uma novidade na sua costumeira estratégia, mostrou aos italianos o seu estágio de desenvolvimento em comparação aos demais, como desejavam. E eles não devem ter gostado muito do resultado: Schumacher e Massa ficaram longe dos primeiros lugares.A decepção dos treinos tem sido a McLaren. ?Temos problemas de motor (Mercedes). Estamos atrasados?, admitiu o atual vice-campeão mundial, o finlandês Kimi Raikkonen.Em Valência, tanto Raikkonen como seu companheiro, o colombiano Juan Pablo Montoya, e os pilotos de testes da McLaren não registraram marcas sequer próximas dos mais velozes. Não há nenhum sinal de que estejam escondendo o jogo, mesmo sendo a terceira organização que mais treinou, com 14 mil quilômetros. A Toyota, apesar de ser a primeira a começar a trabalhar com o modelo novo, ainda em novembro, mostrou boa resistência, mas pouca velocidade.Depois dos primeiros ensaios, acreditava-se que o F1.06 da nova BMW Sauber pudesse surpreender. Mas, em Valência, ele não confirmou seu potencial. A Red Bull trocou o motor Cosworth, agora com a Williams, pelo Ferrari e está encontrando dificuldades, embora deva crescer com a chegada de um técnico excepcional como Adrian Newey. A Williams fez seus primeiros quilômetros com o FW28 em Valência e demonstrou boa velocidade. Os próximos ensaios tornarão suas possibilidades mais claras. Mesmo porque, o time enfrentará problemas com o orçamento enxuto.

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