Hasan Jamali/AP
Hasan Jamali/AP

Equipes da Fórmula 1 encontram no Bahrein clima de paz

Oposição vai fazer manifestações perto do circuito de Sakhir, mas garante que elas serão pacíficas

Livio Oricchio - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2013 | 08h04

BAHREIN - Apesar de a oposição do Bahrein ter programado para quinta e sexta-feira, dia do descanso na cultura islâmica, passeatas para reivindicar mais democracia no país, o clima no circuito de Sakhir nesta quarta era de tranquilidade, ao contrário do que ocorreu na edição de 2012 da corrida de Fórmula 1.

"A maior prova de que vivemos uma situação menos tensa foi a venda de boa parte dos espaços destinados às corporações. Essas empresas trazem os seus convidados. No ano passado não foi assim", disse ao Estado o diretor do Autódromo de Sakhir, Zayed al Zayani.

Há uma diferença importante entre as manifestações de quinta e de sexta pelas ruas de Manama, com promessa de se aproximar do circuito, e as que ocorreram no ano passado: serão pacifistas. Nos conflitos com o governo do xeque Hamad bin Isa Al Khalifa, sunita, mais de 50 cidadãos morreram.

O líder xiita Ali Salman, do grupo Al-Wefaq, responsável pela mobilização, explicou à agência Reuters: "Estou chamando a população para mais protestos, mas sem violência. Eu sou contra a violência. Não temos nada contra a Fórmula 1, desejamos apenas mostrar para o mundo nossa necessidade de uma reforma democrática." Esse pequeno país árabe do Golfo Pérsico é dominado pela dinastia sunita Al Khalifa, enquanto a maior parte da população é xiita.

Em conversa com o Estado, Muhammed Al Khalifa, da família real e articulador da negociação que levou a Fórmula 1 ao Bahrein, disse que existe animosidade entre sunitas e xiitas, "mas é menor do que a divulgada pelo mundo." E citou: "Aqui no nosso evento a maior parte dos voluntários é de xiitas".

O acesso ao circuito de Sakhir é feito principalmente por uma estrada com quatro faixas de rodagem no meio do deserto. Do centro de Manama à pista, são cerca de 25 quilômetros. Pode-se ver regularmente dos dois lados da estrada carros com policiais bem armados e até unidades blindadas leves. Na entrada do autódromo, ainda mais. Parte da segurança do Bahrein é provida pela vizinha Arábia Saudita, com relações estreitas com a família real barenita.

Outro líder do movimento Al-Wefaq, Khalil Al-Marzouq, afirmou também à Reuters: "Estamos esperando milhares de manifestantes na passeata de sexta-feira (amanhã) e já avisamos às autoridades". No ano passado, as ações de protesto foram limitadas a uma área distante do autódromo. Resta saber como será agora a repressão, pois a passeata deverá chegar ao circuito.

Aparentemente sem se importar muito com o que vai ocorrer ao redor do circuito, pilotos e demais integrantes das equipes de Fórmula 1 iniciam hoje as atividades oficiais do GP do Bahrein. O primeiro treino livre é amanhã, às 4h (de Brasília), 10h em Manama. Faz muito calor, a ponto de a Pirelli ter mudado os pneus macios para os médios. O outro tipo a ser utilizado na prova é o duro.

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