Espanha exalta Alonso; Ferrari é criticada

Os jornais espanhóis já começam a enfrentar dificuldades para encontrar adjetivos para o novo herói do país, Fernando Alonso, piloto da equipe Renault. Primeiro porque ele tornou-se, este ano, o mais jovem piloto a conquistar uma pole position numa etapa do Mundial, no GP da Malásia, com 21 anos. Na mesma prova converteu-se no mais jovem a chegar ao pódio, terceiro colocado. E domingo, de forma espetacular, mas já com 22 anos, completados dia 29 de julho, estabeleceu outro recorde: o mais jovem a vencer uma corrida do campeonato da Fórmula 1, na Hungria, e o primeiro de seu país. "Quem sabe eu seja também o mais jovem campeão do mundo", diz ele.Manchete de capa, nesta segunda-feira, do El Mundo: "Fernando Alonso escreveu uma nova página da história da Fórmula 1." Do El Pais: "O Homem do Ano." O esportivo Marca: "Imprensa européia se rende a Alonso." O fenômeno Alonso está tomando conta da Espanha e já tem até nome: Alonsomania.Para a Fórmula 1 ganhar espaço do futebol na terra do dream team do Real Madrid só se aparecesse mesmo um Schumacher espanhol. E pode ser que esteja mesmo surgindo outro supercampeão. Ainda é cedo, mas os sintomas estão todos aí. Com um "agravante": Alonso começou bem antes a colecionar recordes.Por isso também a manchete do AS foi "Estrela imediata", enquanto o El Mundo Deportivo faz uma brincadeira "Que F1era." O rei Juan Carlos, que já até experimentou algumas das emoções da Fórmula 1, ao andar como passageiro na McLaren de dois lugares, disse ao menino de Oviedo: "Venha logo para o Palácio Real que temos muito o que falar. Você emocionou a mim e a toda a minha família."Mas se na Espanha até o rei quer entrar na festa do povo, na Itália a imprensa não poupou ataques ao que talvez mais eleve o espírito nacionalista da nação, a equipe Ferrari. A volta a mais que Alonso impôs a Michael Schumacher, a nove da bandeirada no circuito Hungaroring, está atravessada na garganta dos italianos, ao menos pelo que revelaram nesta segunda-feira os jornais do país. "Ferrari é nada. Schumacher não correu" é a manchete do esportivo de Turim TuttoSport. O editorial descreve o time de Maranello como um boxeador entregue à sorte. "Os adversários trabalham e dão o golpe final para o nocaute: Alonso coloca uma volta de vantagem de Schumacher." O La Reppublica, de Roma, estampa na primeira página "Vamos dizer a verdade, foi doloroso."Como comenta-se, o editorial também sugere que a razão principal da perda de desempenho é a desvantagem técnica proporcionada pelos pneus Bridgestone, comparados aos Michelin, de Williams e McLaren. Por que então não substituí-los? Como se não existissem contratos e como se os japoneses não tivessem responsabilidade direta nas inúmeras conquistas recentes da escuderia.Mais títulos dos jornais italianos: "Schumi, grande medo" expõe a Gazzetta dello Sport, referindo-se à possibilidade iminente de perder o campeonato. Pino Allieve, um dos mais respeitados jornalistas, há 30 anos cobrindo o Mundial, aponta que a falta de resultados não se relaciona exclusivamente à deficiência dos pneus. "Schumacher ficou sem gasolina, a suspensão de Rubens Barrichello quebrou feio, colocando-o em perigo. Como explicar que essa mesma equipe, no ano passado, submeteu seus concorrentes a humilhação semelhante vivida por ela própria domingo em Budapeste?" questiona, com fundamento, Allieve. O Il Seculo XIX tem: "Crise negra para os carros vermelhos."

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