Espanhol mantém a cautela por título

Agora falta pouco, bem pouco, para Fernando Alonso, da Renault, conquistar o título de mais jovem campeão da história. Neste domingo o asturiano de 24 anos terminou em 2.º o GP da Itália, em Monza, vencido por um corajoso Juan Pablo Montoya, da McLaren, enquanto seu adversário na luta pelo Mundial, Kimi Raikkonen, também da McLaren, prosseguiu com o martírio de enfrentar todo tipo de problemas e terminou em 4.º.Se Alonso somar 4 pontos a mais que Raikkonen, domingo, no GP da Bélgica, 16.º do calendário, a enorme torcida que irá decorar o circuito de Spa-Francorchamps de azul e amarelo, as da região de Astúrias, na Espanha, assim como da Renault, fará uma festa poucas vezes vista na Fórmula 1. Alonso continua sério e sequer menciona a possibilidade de ser campeão: "Vi na Hungria como as coisas mudam aqui. Raikkonen venceu e eu não marquei pontos", afirmou.Já o finlandês da McLaren, que sábado caiu de 1.º para 10.º no grid, por causa da troca do motor Mercedes - foi a terceira vez no ano -, neste domingo ainda teve de entrar no box na 28.ª volta para substituir o pneu traseiro esquerdo. "É terrível você ver seu adversário se aproximar do objetivo, por ficar na sua frente, sabendo que você poderia ter obtido um resultado muito melhor", comentou Raikkonen, nada resignado com a série de inconvenientes que, decididamente, o deverão fazer perder o Mundial. Sua corrida foi extraordinária.Montoya tem sido bastante criticado por seus costumeiros erros. Haja vista que, com tudo o que acontece com Raikkonen, ele somou até agora 50 pontos, 4.º no geral. Raikkonen, 76. Alonso disparou, neste domingo, com 103. Mas ninguém pode sequer mencionar que o colombiano não tem coragem. Ele percorreu as voltas finais do GP da Itália com o pneu traseiro esquerdo bem próximo de explodir. E no traçado de Monza as velocidades chegam a 370 km/h. "Não tive medo", afirmou. Pelo mesmo motivo, também no pneu traseiro esquerdo, Raikkonen parou no box. É certo citar, porém, que com o finlandês o pneu começou a dechapar ainda na metade da prova. Montoya não estava satisfeito com o carro. "Depois de algumas voltas começou a sair perigosamente de traseira, a ponto de eu quase rodar, o que não verificamos nos 4 dias de testes aqui, semana passada, e nos treinos de sexta-feira e sábado." Já Alonso não escondia sua satisfação com o 2.º lugar e o 3.º de Giancarlo Fisichella, companheiro na Renault. "Eu e Giancarlo acabamos no pódio e na frente de Raikkonen, acho que era o máximo que poderia esperar depois de compreendermos não ter a velocidade da McLaren." E, no fim, confessou ter usado a mesma tática de Nurburgring, quando forçou o líder, Raikkonen com problemas de pneus, a dar tudo e, com isso, abandonar a corrida para ele próprio vencer. "A equipe me informou que Montoya estava crítico com o pneu, aumentei o limite do motor e acelerei tudo. Mais uma ou duas voltas e teria dado certo de novo, aquele pneu não agüentaria", disse Alonso.Montoya cruzou a linha de chegada apenas 2 segundos e 479 milésimos na sua frente. O 76.º GP da Itália, apesar do fracasso de público - 93 mil pessoas nos 3 dias -, registrou marcas históricas. Desde o GP da Holanda de 1961 que todos os pilotos no grid não terminavam a corrida.Neste domingo os 20 que largaram receberam a bandeirada. Não houve uma única desistência.Mais: o 3.º lugar de Fisichella quebrou o jejum de um italiano não subir no pódio da prova desde a edição de 1988, quando Michele Alboreto, com Ferrari, foi 3.º. Não é tudo. Como Michael Schumacher e Rubens Barrichello não marcaram pontos, a Ferrari recapitulou o GP da Itália de 1995. Aquele ano era, até então, o último em que ao menos um piloto da Ferrari não marcara pontos em Monza. Gerhard Berger e Jean Alesi abandonaram. Além de Raikkonen, Alonso e Montoya, outro destaque da corrida foi Antonio Pizzonia, substituto de Nick Heidfeld na Williams. Largou em 16.º e terminou com um brilhante 7.º lugar.

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