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Especialistas pedem investimento nas categorias de base do automobilismo

Confederação Brasileira de Automobilismo está tentando aprovar projetos de apoio em Brasília

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2013 | 08h00

NICE - Apesar de haver consenso quanto à parcela de responsabilidade da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) nessa situação aflitiva para os interesses da Fórmula 1 no Brasil, o diretor de planejamento da entidade, o ex-piloto Paulo Gomes, quatro vezes campeão da Stock Car, não vê da mesma forma. "A CBA não tem dinheiro para apoiar piloto. O Emerson quando foi para a Europa não levou dinheiro da CBA. Somos reguladores do automobilismo, não promotores, não somos nós que fazemos os campeonatos", afirma.

A entidade está tentando, diz Paulo Gomes, aprovar projetos em Brasília que possam resultar na formação de uma categoria de monopostos no País, inexistente em nível nacional, para servir de primeira escola aos meninos que saem do kart. A atual administração da CBA está no segundo mandato, de quatro anos, e nesse espaço de tempo não houve progresso nesse sentido.

O maior responsável por a Stock Car ser sucesso hoje no Brasil, Carlos Col, diz ter enfrentado dificuldades na relação com a CBA e as federações. "Falta iniciativa, para não dizer outras coisas. Não há um projeto concebido profissionalmente, capaz de sensibilizar uma empresa a investir", afirma Col, referindo-se à possibilidade de o Brasil voltar a formar pilotos em condições de chegarem bem preparados na Europa. "É triste porque existe gente de talento no Brasil."

Bird Clemente é um grande campeão do passado nas pistas brasileiras. Acompanha as competições no País e a Fórmula 1 de perto. "O automobilismo aqui virou uma colcha de retalhos. Há um monte de categoria espalhadas. É preciso ordená-las, fazer com que quem saia do kart dispute um campeonato de monopostos com pneus não slick (lisos), depois slick. Rubinho e Christian Fittipaldi foram para fora depois de começarem a correr no Brasil."

"O mundo se tornou muito mais competitivo, o automobilismo também. Ficou muito mais difícil chegar na Fórmula 1 e mais ainda fazer sucesso", diz Christian. "Eu cheguei bem preparado lá. Mas os meninos hoje vão concorrer contra estrangeiros que estão em outro nível, bem mais alto."

A falta de planejamento tem responsabilidade direta no momento difícil do País na Fórmula 1, na avaliação de Wilson Fittipaldi, ex-piloto e ex-proprietário de equipe de Fórmula 1, nos anos 70 e início dos 80. "Temos um bom kart aqui, mas na sequência está quase tudo parado com os monopostos. Fórmula 3 tem meia dúzia de carros, apenas", diz.

"Precisamos de uma categoria-escola, com pneus radiais e sem asas. O pessoal sai daqui, hoje, e quando chega lá fora vê que o buraco é mais em baixo, a viola lá toca afinada."

As explicações para o problema de falta de renovação de pilotos e as eventuais soluções podem variar de um especialista para o outro. Mas parece haver um consenso de que a defasagem entre o que os jovens conhecem como automobilismo no Brasil, hoje, e o que vão enfrentar na Europa, para quem deseja chegar à Fórmula 1, é o maior de todos os desafios a serem vencidos pelos responsáveis por tentar reverter esse quadro, onde estão os promotores dos eventos, a CBA, o Ministério dos Esportes, empresas com o perfil da Petrobras, dentre outros segmentos.

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