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Reginaldo Leme
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Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2015 | 03h00

Entrar numa pista nova com conhecimento adquirido no simulador é uma coisa. Na real, é outra. Este contraste foi sentido pela Fórmula 1 no ano passado na inauguração do GP da Rússia na pista de Sochi, que tem um asfalto muito mais liso do que o esperado, o que surpreendeu pilotos, engenheiros e até a própria Pirelli. Os dois tipos de pneus escolhidos tinham sido o macio e o médio, mas este ano já mudou para macio e supermacio porque o desgaste da borracha, não apenas por conta do asfalto extremamente liso, mas também pela maioria das curvas ser de média e baixa velocidades, é pequeno. 

Esses dois tipos foram usados nas corridas do Canadá, Áustria, Cingapura e Mônaco, circuitos de baixo desgaste, mas no caso da Rússia ficou provado que, não fosse a obrigatoriedade de usar os dois tipos, seria até possível fazer a corrida toda com um mesmo jogo de pneus. 

Foi o que aconteceu com Nico Rosberg, que fritou os quatro pneus numa tentativa precipitada de passar Hamilton, fez o pit stop ao final da primeira volta e manteve-se na pista pelas outras 52 voltas (mais de 300 quilômetros) com o pneu médio, e ainda terminou em segundo. Ali a decisão da Pirelli para 2015 já estava tomada. Foi o trecho mais longo até hoje percorrido com o mesmo jogo de pneus desde a implantação da regra dos dois tipos obrigatórios, em 2010. 

Desta vez os engenheiros viam o primeiro dia de treinos livres como a chance ideal de experimentar tudo o que eles haviam adquirido de informações no ano de estreia. Mas três horas de treino foram jogadas fora. A primeira hora e meia foi perdida porque um trator que fazia a limpeza da pista deixou um rastro de óleo diesel no asfalto e, em seguida, começou uma chuva ainda fraca. 

Na segunda a chuva caiu pra valer e apenas oito pilotos marcaram tempos. Portanto, não houve voltas com pista seca. Se a previsão de sol para hoje e amanhã se confirmar, os pilotos terão apenas uma hora de treino livre (6h da manhã no Brasil) para deixar os carros prontos para a classificação (9h da manhã). 

Sochi é tão espetacular quanto Abu Dhabi em termos de cenário. Mas como circuito é muito melhor. A começar pela extensão de 5.848 metros, a terceira maior do campeonato (só perde de Spa-Francorchamps e Silverstone). Quase 30% desse total é formado por vias públicas. Embora ambos sejam desenhados pelo mesmo arquiteto Hermann Tilke, Sochi tem pontos de ultrapassagem, o que é bem raro em Abu Dhabi. Razão das noites mal dormidas durante bom tempo por Fernando Alonso, que perdeu a briga pelo título em 2010, por não ter conseguido ultrapassar o russo Vitaly Petrov, com um carro bem mais lento, durante 40 voltas e várias tentativas. 

No circuito russo, a velocidade média do vencedor Hamilton foi de 202,347 km/h e a máxima chegou a 328,3 km/h com Ricciardo (Red Bull). Metade da volta é feita de pé embaixo (aceleração plena) e, por isso mesmo, as freadas são fortes ao final dos trechos mais velozes. 

Como franca favorita, a Mercedes deve garantir neste domingo o título mundial de Construtores, bastando para isso marcar três pontos mais do que a Ferrari. Foi também na Rússia que a equipe alemã conquistou seu primeiro título entre equipes na F-1, no ano passado. 

BRASILEIROS NO EXTERIOR

Na preliminar do GP em Sochi, André Negrão disputa a antepenúltima etapa do campeonato da GP2, que tem o belga Stoffel Vandoorne como líder disparado (108 pontos à frente do norte-americano Alexander Rossi). Na pista de Zandvoort, Holanda, será decidido o título do Mundial de GT, entre Audi e Bentley, com a participação dos brasileiros Cacá Bueno, Sergio Jimenez, Valdeno Brito e Átila Abreu, pilotando o Z4 do BMW Team Brasil. 

O Mundial de Endurance, que tem os brasileiros Lucas di Grassi (Audi na classe LMP-1), Pipo Derani (Ligier-Nissan na LMP-2) e Fernando Rees (Aston Martin na GTE-Pro), corre em Fuji, no Japão. Em categorias distintas, Di Grassi está em 4.º no campeonato e Derani é 3.º, depois de cinco pódios seguidos. 

O último fim de semana, em Monza, teve um resultado importante para o automobilismo brasileiro, com a sexta vitória do paulista Vitor Baptista no Euroformula Opel (F3), abrindo 32 pontos de vantagem sobre o russo Konstantin Tereschenko. Vitor deve conquistar o título na última etapa, dia 1.º de novembro, em Barcelona.

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