William West/AFP
William West/AFP

Estreia do brasileiro Felipe Nasr na Fórmula 1 vira uma longa novela

Por problemas na Justiça, Sauber não participa de treino livre

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 00h20

O tapetão marcou a primeira sessão de treinos da Fórmula 1 da temporada. A queda de braço entre o holandês Giedo van der Garde e a Sauber, de Felipe Nasr, levou a equipe a não participar do treino desta sexta pela manhã (quinta-feira à noite no Brasil) e deixou para a Suprema Corte do estado de Victoria decidir se o piloto vai poder ou não guiar um dos carros da escuderia suíça.

O holandês, que teve passagem pela Caterham, exige vaga por entender que em contrato assinado em 2014, havia a promessa que de o piloto de testes naquele ano seria promovido a titular na temporada seguinte. Ao acionar a Justiça, o holandês bagunçou a etapa inicial e virou mais importante no paddock do Albert Park do que os pilotos mais renomados da categoria. Van der Garde foi ao circuito e circulou pelo local como se fosse um dos 20 pilotos do grid de largada.

Uma audiência na Austrália, no começo da semana, deu a vitória a Van der Garde, que passa a ocupar provisoriamente o lugar que era do sueco Marcus Ericsson. O holandês até apareceu no circuito exibindo com o orgulho o macacão de Ericsson, em claro sinal de que está confiante em confirmar a vaga.

A resposta final, porém, só virá na madrugada desta sexta-feira. A pendência é que o holandês não tem a superlicença, documento obrigatório para se disputar a Fórmula 1. Caso não se consiga isso a tempo, a estreia dele ficaria para a segunda etapa, na Malásia, daqui duas semanas.

A vitória do piloto foi conseguida nas Justiças da Austrália e da Suíça, onde a equipe tem sede. A Sauber, então, teve de ceder, apesar de ser publicamente contra a entrada do holandês. No começo da semana, a escuderia distribuiu um comunicado assinado pela chefe, a indiana Monisha Kaltenborn, em que lamentava a derrota no caso. A equipe também alertava que a troca de pilotos na última hora era um risco à segurança, já que o carro havia sido preparado sob medida para o sueco. Alheio aos problemas, o holandês já chegou a entrar no veículo de Ericsson.

OBSTÁCULO

O enrosco virou novela nos últimos dias e tem prejudicado o estreante da Sauber, o brasileiro Felipe Nasr. Com a equipe fora dos treinos, ele terá menos tempo para acertar o carro para a corrida de domingo. Pelo menos por enquanto, Nasr não corre o risco de perder a vaga. A vinda dele para a escuderia suíça garantiu um patrocínio de R$ 45 milhões do Banco do Brasil. O repasse do montante seria cortado caso o brasiliense de 22 anos fosse sacado.

Nasr sabe da expectativa que carrega por representar o terceiro País que mais tem vitórias na Fórmula 1. Terceiro colocado na GP2 em 2014, com quatro vitórias, fez ainda uma boa pré-temporada e chegou a ser o mais rápido em um dos dias de testes realizados em Barcelona, na Espanha.

A Fórmula 1 por vezes também é cruel com quem é novato. É preciso demonstrar rapidamente talento, mesmo que o carro não seja tão bom. A Sauber precisa reagir em 2015 e se reformulou ao trocar a dupla de pilotos depois de não pontuar no ano passado. Ciente das dificuldades, Nasr prefere não traçar metas. "Temos condições de ter um bom desempenho, apesar de ter vivido um 2014 bem difícil", disse ao Estadão após ser anunciado pela equipe.

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