Expectativa marca início da F-1

A chuva fina que começa a cair nos 15 minutos finais da sessão de classificação de sábado, em Melbourne, causa na estréia do novo regulamento da Fórmula 1 grandes surpresas: Michael Schumacher, da Ferrari, registra um tempo 18 segundos pior que o até então mais veloz, Jarno Trulli, da Renault, último a pegar asfalto seco. Os pilotos mais rápidos no treino de sexta-feira, como Michael Schumacher, ainda não haviam entrado na pista para a tomada de tempo quando começou a chover, como mandam as novas regras. Com isso, Trulli larga na pole position do GP da Austrália, enquanto Schumacher é apenas o antepenúltimo no grid. Pode parecer um sonho distante, de quem apenas gostaria de ver mais competição na Fórmula 1, mas a possibilidade de ocorrer um resultado como o descrito, dia 8, na sessão que definirá o verdadeiro grid da abertura do Mundial, não é tão pequena. Agora, há uma ordem para os pilotos deixarem os boxes e saírem para a volta lançada, estabelecida pelos tempos obtidos na sexta-feira, mas invertidos. Com isso, se chover nos instantes finais, sábado, como no exemplo, os mais rápidos na sexta-feira, os últimos a marcar tempo no sábado, serão os maiores prejudicados. Pode acontecer o contrário também, lógico. Portanto, não fosse a diferença de 14 horas entre o horário de Melbourne e o de Brasília, haveria chances sim de o leitor se deparar, domingo, com um texto semelhante ao exposto. Mas as possibilidades de surpresas na Fórmula 1 estão longe de limitar-se à ocorrência de chuva durante a classificação. Pode-se imaginar, também, como exemplo, que o australiano Paul Stoddart, cidadão de Melbourne, resolva impressionar seus conterrâneos. Como proprietário da Minardi, ordena que seu piloto mais experiente, Jos Verstappen, vá para a classificação, sábado, com gasolina apenas para completar as três voltas que tem de realizar: a de aquecimento dos pneus, a lançada e a de desaceleração. Bem mais leve, o PS3 da Minardi pode, de repente, garantir à equipe o quinto tempo, por hipótese. Isso se deve porque agora o volume de gasolina que será usado para iniciar a corrida tem de ser definido antes da sessão de classificação de sábado. Não é mais permitido reabastecer entre a o treino classificatório de sábado e a corrida. No caso, Verstappen teria de fazer um pit stop talvez na segunda volta da prova, mas só a exposição que a equipe teria na mídia mundial poderia garantir a Stoddart o investimento empresarial que lhe falta para completar o campeonato, diante da promessa de repetir o feito. Retornando ao exemplo de Jarno Trulli na pole, nunca é demais lembrar que as escuderias que concordaram em limitar seus treinos particulares ao longo do ano receberam como bonus duas horas extras de treinos livres, na sexta-feira pela manhã. Trulli e a Renault treinaram muito mais tempo no circuito Albert Park que a maioria de seus adversários, o que contribuiu de forma significativa para estar mais rápido do que se poderia esperar. Além da Renault, a Jaguar, Jordan e Minardi também optaram por esse sistema em troca de realizarem apenas 20 dias de testes privados, com um só carro, até o fim da temporada. Por conta disso também, de repente a Jaguar, para promover sua marca, opte por seu piloto Mark Webber, australiano, classificar-se com pouca gasolina. Tem razão David Coulthard quando afirmou, semana passada, que os que acompanham a Fórmula 1 somente compreenderão melhor quem tem mais possibilidades de vencer a corrida quando ela estiver na sua segunda metade. Será apenas a partir daí que ficará clara a estratégia que cada piloto e equipe adotaram. Até lá, valerão todas as apostas, diferentemente do ano passado, em que quem investia em Michael Schumacher invariavelmente vencia.

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