F-1 aposta em vitória da McLaren

Se já nesta sexta-feira, nas duas sessões de treinos livres do GP da Grã-Bretanha, Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya, a dupla da McLaren, não forem bem mais rápidos que todos os seus adversários, será uma surpresa. A opinião é de ninguém menos do líder do Mundial, Fernando Alonso, da Renault. "Eles têm um carro bem mais rápido que todos os demais. Isso foi o que vimos nos testes realizados aqui mesmo há um mês." Os atentatos terroristas desta quinta-feira em Londres, distante cerca de 140 quilômetros do circuito de Silverstone, monopolizaram as atenções da Fórmula 1. Temas de extrema relevância, como o que as equipes decidiram no encontro de quarta-feira à noite, em Munique, para tirar Max Mosley da presidência da FIA, ficaram para esta sexta-feira. Nem todos puderam comparecer ao autódromo, em razão de o aeroporto de Londres ter pemanecido fechado um tempo e também por causa do caos que se estabeleceu na cidade depois de as bombas explodirem.Jenson Button, da BAR, foi ainda mais longe de Alonso para falar da McLaren. Para ele, a escuderia inglesa, que tem a Mercedes como sócia, assumiu, no circuito de Silverstone, o papel da Ferrari na últimas temporadas. "Só perde se o carro quebrar ou seus pilotos errarem ou envolverem-se em algum acidente." Alonso, resignado, afirmou: "Chegar ao pódio, aqui, será já uma sorte." Seu argumento é simples. Como os dois primeiros já são conhecidos, Raikkonen e Montoya, haverá uma luta intensa pela terceira colocação. "Diante das circunstâncias que viveremos aqui e da minha posição no campeonato, um pódio será um grande resultado", declarou o espanhol.Ao mesmo tempo em que os pilotos projetavam as 60 voltas no veloz traçado de 5.141 metros buscavam informações sobre o ocorrido em Londres, pela manhã. As TVs das equipes permaneceram o tempo todo transmitindo os noticiários sobre os atentados. Assim como não há quem não veja a McLaren como favorita para a prova, todos pensam que o melhor a se fazer é prosseguir com a competição. "A vida não pode parar", comentou Michael Schumacher, cético quanto ao que a Ferrari pode fazer no GP da Grã-Bretanha. "Imaginava um rendimento em Magny-Cours (França) e depois, na hora da corrida, a coisa foi diferente. É melhor não esperar nada." Rubinho está na pista que mais gosta. "Já treinei tanto aqui, com sol, chuva, calor, frio, é o traçado que mais conheço e gosto." Em 2003 conquistou o que muitos críticos dizem foi sua maior vitória na Fórmula 1. "Esse frio pode nos ajudar. Nos testes fomos bem, um pouco longe da McLaren, mas a Ferrari evoluiu bastante nas últimas semanas." Comentou o episódio envolvendo a associação dos pilotos (GPDA) e a FIA e, claro, a omissão de Michael Schumacher, que não assinou a carta endereçada ao presidente da entidade, Max Mosley, solicitando uma reunião."Eu assinei. Ele não. Cada um tem uma opinião. O Michael acha que o que aconteceu em Indianápolis não representou um risco para nós." Falou mais: "Argumenta que a questão dos pneus foi um problema técnico e não de segurança. Eu vejo também como um problema técnico mas que repercutiu diretamente na segurança dos pilotos", explicou Rubinho.Alguns pilotos não se esquivaram de comentar a postura dos responsáveis de seus times sobre tirar Mosley da presidência da FIA, como Mark Webber, da Williams, diretor da GPDA: "Acho que todos querem homens que defendam de forma elevada e profissional os interesses do esporte. Penso que só outra pessoa na liderança da FIA poderia seguir esses ideais." David Coulthard, outro da direção da GPDA, concordou: "Estou decepcionado com Max Mosley. Quer dizer, então, que não posso discordar do regulamento?" Foi além: "E por discordar temos de ver nossa segurança ameaçada?" Mosley cancelou um encontro programado para esta sexta-feira alegando que Coulthard criticou as regras atuais da Fórmula 1.Jornalista percorrerá pelado no paddock - "É verdade, vou pagar minha aposta", respondeu Bob McKenzie, de 54 anos, do Daily Express, à cobrança de Ron Dennis, da McLaren. O inglês responsável pela cobertura da Fórmula 1 escreveu, ano passado, que se a McLaren vencesse uma prova correria nu pelo paddock em Silverstone. Kimi Raikkonen ganhou o GP da Bélgica. Nesta quinta-feira Ron Dennis o cobrou. Ficou acertado que irão pintar o seu corpo para disfarçar um pouco. "Vou fazer meu show domingo às 11 horas", disse o jornalista.

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