F-1 assiste a ?febre? Fernando Alonso

O Real Automóvil Club de Cataluña, organizador do GP da Espanha, etapa seguinte a deste fim de semana em Ímola, dia 8 de maio, está solicitando aos torcedores espanhóis que permaneçam em casa, não tentem mais adquirir ingressos para a prova, assistam à corrida pela TV. Motivo: a loucura pelo novo ídolo, Fernando Alonso, o líder do Mundial, esgotou a capacidade do Autódromo da Catalunha. E o asturiano de apenas 23 anos pode aumentar ainda mais a febre de seus fãs já neste sábado. Deve disputar a primeira colocação no primeiro treino classificatório do GP de San Marino, no circuito Enzo e Dino Ferrari.Agência Estado - Poucas vezes os espanhóis demonstraram tanta idolatria por um esportista como nas manifestações de carinho a você que estão ocorrendo em seu país. Está preparado para desembarcar em Barcelona como líder do campeonato e aceitar com naturalidade tudo o que se imagina ocorrerá? Fernando Alonso (FA) - Não é fácil. Muitas dessas pessoas irão ver um carro de Fórmula 1 pela primeira vez na vida, estão descobrindo esse esporte. Vão se surpreender como é distinto, bonito, grande nosso espetáculo. Nem sempre, porém, conhecem, ainda, nossos limites, o que podemos e não fazer, mas será gratificante para mim. Preservada minha privacidade, segurança, o que nem sempre é o caso, será muito legal.AE - Se você não vencer o GP de San Marino, no domingo, mudará alguma coisa? FA - Diante dos espanhóis não creio. Na imprensa internacional, porém, se quebrar o carro ou eu cometer um erro, não falarão de mim por duas semanas. Tudo o que você faz vale até o seu próximo resultado.Quanto a vencer aqui, vou precisar de contar novamente com um grande carro, o que acredito, e ter sorte. Meu companheiro de equipe quebrou o motor depois de apenas duas voltas no GP de Bahrein, poderia ter acontecido comigo. Faz três corridas que não enfrento nada, nenhuma dificuldade, se continuar assim...AE - Michael Schumacher afirmou que você vai começar a sentir o que é pressão agora, como líder que tenta aumentar a diferença para os demais no campeonato.FA - Acho normal ele falar de mim e não dele próprio. Deve ser porque está com apenas 2 pontos e eu com 36. Pressão eu sentia quando corria de kart. Naquela época, se eu não vencesse, minha carreira acabaria ali, voltaria para a escola. A sequência da minha vida profissional estava condicionada ao meu sucesso naquela fase em especial. Hoje existe pressão, claro, mas pouca se comparada ao que senti quando era bem mais jovem.AE - Você sempre teve companheiros de equipe muito capazes, Jarno Trulli, ano passado, e Giancarlo Fisichella, nesta temporada.Mesmo assim você tem se sobressaído. Como você lida com esse desafio? FA - É verdade, dois dos mais rápidos pilotos da Fórmula 1. Nunca tive vida fácil, desde que cheguei aqui, tampouco trabalho num time onde tudo gira a meu redor (a referência a Schumacher é clara).Gostaria de retornar à questão da pressão. Se, de fato, eu aumentar aqui em Ímola a diferença entre eu e Schumacher, que hoje é de 34 pontos, a tendência é a pressão diminuir e não aumentar. A partir daí poderei controlá-la.AE - Por que a Ferrari está numa situação tão difícil atualmente? FA - Em primeiro lugar em razão de terem sido otimistas demais, achando que iriam vencer as primeiras etapas com o carro do ano passado. Houve um certo desprezo pela capacidade dos adversários reagirem com bons projetos ao novo regulamento, como fez a Renault.Existe ainda, claro, a questão dos pneus, a Michelin (fornecedora da Renault) desenvolveu pneus espetaculares até agora (a Ferrari corre com Bridgestone).AE - Você se deu ao luxo de assistir ao treino da manhã dos boxes, enquanto Schumacher completou 14 voltas, e na sessão da tarde só entrou na pista faltando cerca de 10 minutos para o encerramento. A essa altura Schumacher estava perto de completar as suas 24 voltas desse treino. Parece que você esnobou a Ferrari. Mesmo com apenas 10 voltas você foi mais rápido que Schumacher, que deu 38.FA - (Risos). O que acontece é que tiramos as sextas-feiras mais para definir o tipo de pneu que usaremos no restante do fim de semana.Trabalhamos em Paul Ricard, na França, semana passada, com os pneus que a Michelin traria para cá, portanto a nossa escolha já estava praticamente feita. Como foi dito, depois de apenas 3 voltas registrei o oitavo tempo e em 8 voltas tinha a quinta melhor marca do dia. O bom dessa história é que às sextas-feiras nunca colocamos toda a carne para assar na grelha.

Agencia Estado,

22 de abril de 2005 | 18h11

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.