F-1: autódromo ótimo; traçado ruim

A maioria dos pilotos conheceu o autódromo de Bahrein, em meio ao deserto de Sakhir, nesta quinta-feira. E ficou impressionada. Mas, ao mesmo tempo, depois de percorrer os 5.411 metros do traçado projetado pelo alemão Herman Tilke, com carros de passeio ou a pé, ficou decepcionada: a maioria das curvas é de baixa velocidade e não representa nenhum desafio maior. "É uma vergonha", chegou a dizer Jarno Trulli, da Renault. Nesta sexta-feira, a partir das 5 horas, eles irão conhecer, de verdade, o que é pista.O que os pilotos não entendiam, nesta quinta, era que Tilke teve todos os recursos possíveis, o espaço que desejasse para projetar o circuito e mesmo assim concebeu um traçado com quatro curvas de primeira marcha. "Existe apenas um ponto em que seremos mais exigidos (curvas 10 e 11), o restante é parar o carro no freio e contornar a curva bem devagar. Será duríssimo para os freios", previu Rubinho. Mas sobraram elogios para a qualidade do asfalto: "É impressionantemente plano e sua aderência, maior do que parece. Não creio que o desgaste de pneus será pequeno." Juan Pablo Montoya, da Williams, também não gostou do traçado: "Parece a pista A1 Ring (Áustria)." Michael Schumacher lembrou que a pista é menos desafiadora que a da Malásia, projetada igualmente por Tilke. "Mas o trabalho em geral realizado aqui, no espaço de tempo que dispunham, é incrível." O campeão do mundo, vencedor das duas primeiras etapas do campeonato, líder na classificação com 20 pontos, comentou gostar de conhecer novos lugares. "No Oriente Médio, estive apenas no Egito. A recepção humana que tivemos no Bahrein foi muito bonita." À pergunta se era verdade que contratou mais de dez guarda-costas, respondeu: "Não, você está enganada. São muito mais." Depois demonstrou que não existe nenhum plano especial de segurança para a prova.Quem se manifestou a respeito da segurança do GP de Bahrein foi o Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra. Em nota que chegou ao autódromo, a governo inglês dizia: "Julgamos que há uma grande ameaça de ataque terrorista no fim de semana." O Ministério do Interior de Bahrein não gostou da iniciativa e distribuiu outra nota, através do seu porta-voz, Colonel bin Daineh: "Desejamos que todos que estão visitando o Bahrein se divirtam. Elaboramos extenso plano de segurança." Desmentiu também que Schumacher tem um esquema especial."Temos consciência de que existem aqui vários personagens importantes e o senhor Michael Schumacher é um deles, mas todos têm o mesmo nível de segurança." O próprio príncipe Shaikh Salman bin Hamad Al Kalifa, idealizador do projeto de receber a Fórmula 1, percorria o paddock, nesta quinta-feira, sem nenhum guarda-costa, sempre muito disponível a todos. Ele se dizia emocionado com a Fórmula 1 "ser uma realidade no seu país." Bernie Ecclestone, que na Europa chega aos sábados nos circuitos, nesta quinta também já elogiava a iniciativa: "Senhores, estamos no meio do deserto." Depois lembrou que as pessoas têm de ter em mente que o Bahrein não produz nada. O parafuso que prende a escada, o vidro da sala de imprensa, a louça dos banheiros, comentou, tudo vem de fora, o que aumenta sobremaneira as dificuldades de uma obra.A revista italiana Autosprint publicou uma reportagem na última edição explicando as razões de os pilotos da Ferrari deixarem os boxes, nos primeiros treinos das etapas da Austrália e da Malásia, e depois de apenas quatro voltas serem bem mais velozes que todos os outros pilotos. Seriam os super-simuladores que a equipe desenvolveu, capazes de dar aos técnicos, de antemão, noção precisa de como acertar o carro.Rubinho evitou o tema nesta quinta: "Acho que aqui as escuderias que têm três pilotos na sexta-feira (BAR, Toyota, Jaguar, Jordan e Minardi) irão dispor de importante vantagem."

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