F-1: calor é a preocupação na Malásia

Hoje, às 17h30, a temperatura no futurista aeroporto da capital malaia era de 31 graus. A expectativa para o horário do GP da Malásia, domingo, 14 horas (3 da manhã em Brasília), o segundo da temporada, é de que faça ainda mais calor. Nos últimos dias a maioria das equipes tentou, dentro do possível, simular na Europa as dificuldades que enfrentarão no belo autódromo de Sepang. "A resistência do equipamento será o maior desafio da competição", previu Mario Theissen, diretor da BMW, fornecedora de motores da Williams. Na Inglaterra, David Coulthard, da McLaren, admitiu que a Ferrari largou mesmo na frente este ano. A maioria dos pilotos chega nesta terça-feira à Malásia, a fim de se acostumar com o fuso horário de sete horas a mais em relação à maior parte do continente europeu. Mas o que mais preocupa esses profissionais, bem como os engenheiros de suas equipes, é a temperatura próxima dos 36 graus, esperada para domingo, combinada com a umidade do ar de Kuala Lumpur, quase sempre superior a 90%. "Além dessas condições difíceis para os carros, há também na pista de Sepang duas longas retas, que colocam ainda mais à prova os motores", lembrou Theissen. A impressionante evolução da velocidade dos carros, gerada principalmente pela concorrência entre os dois fabricantes de pneus, Bridgestone e Michelin, além de tornar a Fórmula 1 mais perigosa, conforme ficou claro na Austrália, elevou o limite dos carros. Mas antes mesmo da corrida, o diretor-técnico da Benetton, Mike Gascoyne, já havia adiantado que, pelo menos no início do campeonato, haveria um número de quebras maior do que o normal, motivada por essa elevação do limite. Dos acidentes em Melbourne, o de Mika Hakkinen e de Luciano Burti, decorreram na maior solicitação das suspensões, propiciada pela maior aderência dos pneus. Os treinos das escuderias, semana passada, se concentraram em Silverstone, Inglaterra, onde estiveram Jordan, Williams, Jaguar, BAR, Arrows e Benetton, em Magny-Cours, na França, circuito escolhido pela McLaren, e Fiorano, na Itália, traçado particular da Ferrari. Apesar do inverno no hemisfério norte estar no fim, as temperaturas médias ainda são baixas, daí a preocupação dos técnicos. A rigor, a não ser a Williams e a BAR, que já treinaram na África do Sul, ninguém sabe como seu carro se comporta nessas condições. A temperatura em Melbourne, na abertura do Mundial, dia 4, foi surpreendentemente baixa para o verão australiano, 21 graus. "O que dá para fazer é tampar parte dos radiadores, a fim de simular a concentração de ar que os atingirão em locais onde faz mais calor", explicou Rubens Barrichello, da Ferrari, responsável pelo trabalho do time italiano com o modelo F2001 em Fiorano. O problema atinge também os fabricantes de pneus. "Eles recriam essas condições de desgaste extremo nos computadores, vêm as suas necessidades e constróem pneus para tentar suportar tudo isso", contou Rubinho. Ferrari e McLaren, os times mais avançados da Fórmula 1, competem com Bridgestone. Ano passado, dos 22 pilotos que largaram no GP da Malásia, nove não chegaram ao fim das 56 voltas. Coulthard - O piloto escocês, segundo colocado em Melbourne, reconheceu hoje que, ao contrário dos dois últimos anos, desta vez quem tem um carro mais veloz é a Ferrari e não o seu time, a McLaren. O MP4/16 está tornando-se mais rápido, mas a redução da diferença que nos separa da Ferrari dependerá que quanto eles desenvolverem seu carro", afirmou. Ron Dennis, sócio da McLaren, definiu o momento da sua equipe: "Somos perdedores feridos, sabemos onde estamos atrás e nos sentimos prontos para devolver, na Malásia, a derrota na Austrália."

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