F-1 corre de luto no GP da Itália

Televisões sintonizadas nos noticiários sobre os atentados nos Estados Unidos, discussões sobre como enviar para Indianápolis os equipamentos para a prova e até se seria prudente deslocar a Fórmula 1 para lá. Esses foram temas debatidos nesta quinta-feira no autódromo de Monza. O empresário do show, Bernie Ecclestone, foi claro: "Devemos ir para os Estados Unidos. Caso contrário, quem poderá nos dizer quando devemos viajar?" A Ferrari radicalizou. Além de cancelar a festa programada para a celebração dos títulos deste ano, decidiu retirar o patrocínio de seus carros. "Faremos apenas esporte", dizia o comunicado.A maioria, como o diretor da Benetton, Flavio Briatore, concorda com Ecclestone, mas mostra-se mais reticente: "Vamos correr agora aqui na Itália, depois nos Estados Unidos e em seguida no Japão. Acho que devemos ficar atentos, porém, aos episódios dos próximos dias." O sócio majoritário da Minardi, o autraliano Paul Stoddart, radicado na Inglaterra, é dono de uma empresa bem-sucedida de aviação especializada em vôos fretados. Ele comentou a tragédia norte-americana, envolvendo aviões. "O que nós podemos fazer? Cabe-nos prestar solidariedade àquela gente e seguir em frente com a Fórmula 1."Nesta sexta-feira o treino livre começará às 10h50, dez minutos antes do previsto, para acabar dez minutos antes do normal, às 11h50. Ao meio dia, toda a Fórmula 1 irá para a reta dos boxes e cumprirá um minuto de silêncio em reverência às vítimas dos atentados em Nova York e Washington. Stoddart falou mais sobre o ocorrido: "Todos nós sabemos que esses acidentes podem acontecer a qualquer instante. Espero que a partir de agora as pessoas sejam pacientes com as novas medidas de segurança nos aeroportos."O discurso de Michael Schumacher foi semelhante: "Devemos de todas as formas pensar em medidas que possam evitar novas ações dessa natureza." Ele mostrou-se bastante reflexivo ao abordar a questão. "É difícil encontrar expressões que definam o que senti diante daquela situação." Como quase todos pensam, a saída é, segundo o piloto alemão, "continuar fazendo o que se fazia antes." Michael viajará aos Estados Unidos com o seu próprio avião, diferentemente da maioria dos colegas, que se deslocará em vôos de carreira, desde que o espaço aéreo norte-americano seja normalizado. Nesta quinta-feira coordenadores das equipes, como Jo Ramirez, da McLaren, e o engenheiro Rogério Gonçalves, da Petrobras, confirmaram que suas empresas têm equipamentos prontos para embarcar para os Estados Unidos, mas que por conta da proibição dos vôos estão retidos em seus aeroportos de origem.Ainda não ficou claro por qual razão a Ferrari decidiu retirar dos seus carros e caminhões as marcas de seus patrocinadores. Segundo o comunicado da equipe, trata-se de uma forma de luto, reforçada por uma lista negra no aerofólio dianteiro. O principal patrocinador da Ferrari é a Philip Morris, de capital norte-americano, que divulga a marca Marlboro.Bônus - Bernie Ecclestone confirmou nesta quinta-feira que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e as equipes entraram num acordo sobre as limitações de treinos depois do fim da temporada, programado para 14 de outubro no Japão. Pelo que estava acertado, os testes só poderiam voltar a partir de 1º de janeiro de 2002. As equipe não treinariam, portanto, durante dois meses e meio. Nesta quinta-feira estabeleceu-se que a proibição valerá apenas para depois de 15 de novembro. Em resumo: os times ganharam um mês a mais para desenvolver o seus programas de treinamentos.

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