F-1 discute redução dos custos

Duas são as maiores surpresas que podem ocorrer durante a disputa do GP da Áustria, já a partir de sexta-feira, com a realização dos primeiros treinos livres da prova, a sexta da temporada, no circuito A1-Ring. A primeira diz respeito à competição na pista: será que os pilotos da Williams, Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, vão oferecer resistência a uma nova vitória de Michael Schumacher e da Ferrari? A outra envolve os dirigentes da Fórmula 1. Não há a menor perspectiva de consenso na definição do que fazer para a redução dos custos. Bernie Ecclestone, promotor do show, irá se reunir com os representantes das equipes, possivelmente no sábado, para discutir o preocupante assunto. Com quatro vitórias em cinco etapas, o anormal será se Schumacher, domingo, não quebrar o tabú de nunca ter vencido o GP da Áustria. Ou se, de repente, um pouco da sorte que o tem acompanhado este ano, ao lado da sua enorme competência, transferir-se para o companheiro de escuderia, Rubens Barrichello. Para esfriar os ânimos de Ralf e Montoya, que acreditam ser possível tentar enfrentar a Ferrari no traçado austríaco, a previsão do tempo, apresentada hoje à noite na TV, apontava "grandes chances de chover nos próximos dias." Os pneus Bridgestone da Ferrari, dizem os próprios pilotos, são mais eficientes que os da Michelin, da Williams e da McLaren, no asfalto molhado. Eddie Jordan, da Jordan, e Paul Stoddart, da Minardi, responderam, hoje, duramente às acusações de Niki Lauda de que são "maus administradores." São esses homens que sentarão para discutir com Bernie Ecclestone a série de medidas que visa à contenção das despesas das escuderias, uma vez que os reflexos da recessão mundial já atingiram a competição. "Se não agirmos rápido a Fórmula 1 passará por uma crise nunca antes experimentada", declarou surpreendentemente Ecclestone, semana passada, daí ele agendar com os representantes dos times uma reunião em Spielberg. Lauda afirmou à imprensa inglesa, ao abordar a crise financeira de algumas equipes, que Eddie Jordan estava mais preocupado com sua coleção de iates de luxo que com a Jordan Grand Prix. O irlandês, sem dinheiro, despediu 40 funcionários pouco antes do GP da Espanha, dia 28. Hoje, Eddie Jordan, furioso, respondeu: "Lauda está lançando uma cortina de fumaça para esconder o rendimento decepcionante de sua escuderia (Jaguar). Ele conta com mais recursos disponíveis que metade do grid e somou apenas 3 pontos." Jordan foi além: "Por tudo isso faria melhor se concentrasse sua atenção no muito trabalho que tem de fazer a preocupar-se com as demais equipes." Na mesma conversa com os jornalistas ingleses Lauda definiu os dirigentes da Minardi como "amadores." O milionário australiano, Paul Stoddart, sócio de Giancarlo Minardi, deu hoje o troco também: "É engraçado, Lauda dispõe de um orçamento de US$ 150 milhões por ano e a sua performance é bem semelhante à nossa." A Minardi, que não gasta mais de U$ 50 milhões, somou até agora 2 pontos, com o quinto lugar de Mark Webber no GP da Austrália, enquanto a Jaguar, 3 pontos, decorrentes da quarta colocação de Eddie Irvine na mesma corrida. O escocês Tom Walkinshaw, sócio da Arrows, outra organização que pode falir, evitou polêmica e não se manifestou. A seu respeito, Lauda disse: "Todo mundo sabe como ele faz seus acordos. Não preciso dizer mais nada." A honestidade de Walkinshaw vem sendo colocada em xeque por muita gente na Fórmula 1. Diante de tamanha animosidade, fica difícil acreditar que já de Spielberg saia a definição do que deverá ser feito, logo, para evitar que outras equipes, além da Prost, declarem concordata e depois falência.

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