F-1 discute redução nos seus custos

Enquanto pilotos, engenheiros e mecânicos discutem a adoção de todos os detalhes que possam representar mais velocidade no carro na sessão que definirá o grid do GP da Austrália, amanhã às 23 horas, horário de Brasília, os diretores e até proprietários das equipes trocam idéias a respeito das medidas que deverão ser adotadas na Fórmula 1 para conter os seus custos. A sugestão de limitar o uso dos motores a uma unidade por piloto por fim de semana é a mais comentada. As opiniões se dividem. É certo, porém, que algumas providências importantes serão tomadas. Até por uma questão de seguir a tendência mundial de rever custos, além da imposta pela própria retração dos negócios de forma geral, a Fórmula 1 está, talvez pela primeira vez na história dos seus últimos 30 anos, depois que passou a ser transmitida pela TV, prestes a colocar limites nas despesas das escuderias. Ao menos supostamente, porque há quem acredite ser impossível esse controle, como o suíço Peter Sauber, sócio da Sauber. "Se há dinheiro no seu orçamento, em alguma área do desenvolvimento do carro, as não atingidas pelas restrições do regulamento, você irá gastá-lo." Patrick Head, diretor-técnico e sócio da Williams, lembra que as limitações estão ainda sendo estudadas. "Não creio na sua aplicação a curto prazo."A que mais ganhou fôlego foi a sugestão do presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, de permitir apenas um motor por piloto por GP. O apoio a Mosley tem sido surpreendente. "É positivo. Reduz mesmo os custos", define Gerhard Berger, ex-piloto, hoje diretor de esportes da BMW, fornecedora de motor da Williams. "Mexer com os motores é a direção certa." O projetista-chefe da Renault, Mike Gascoyne, vê da mesma forma. "Se o regulamento te permite construir um motor apenas para as 12 voltas da classificação, claro que você fará, o que é uma loucura em termos de investimento." Acabar com "aberrações" como esta numa época em que se busca economizar com tudo é "sensato", segundo Gascoyne. O diretor de seu time, Flavio Briatore, por um instante esquece-se de que defende agora os interesses de uma montadora, a Renault, e comenta: "Um motor só, o que é isso? A F-1 tem de fazer um motor para durar 50 mil quilômetros, como no meu carro?" Depois, pensa bem, e responde: "Não tenho opinião definida ainda a respeito do que estão pensando em adotar." Os pilotos são contra - Michael Schumacher nem mesmo sabia que a proposta de Mosley prevê que no caso de o motor único quebrar, a equipe poderá substituí-lo, mas às custas de seu piloto largar em último no grid. "Não creio que aprovarão uma regra em que o seu motor se rompe no sábado e não possa correr do domingo." Juan Pablo Montoya, da Williams, sabia o que se discute. "Será muito ruim para nós cair das primeiras posições para a última porque o motor apresentou problemas." Giancarlo Fisichella, da Jordan-Honda, também vê da mesma forma: "Para o esporte será um desastre." Assim como para ele conter os custos é "impossível", Peter Sauber pensa que a limitação drástica dos motores, como está ganhando muita força, provocará aumento dos custos, em vez da sua redução. "A Ferrari, a BMW, os fabricantes projetam e constroem, hoje, um motor para suportar 400 quilômetros. Se a mudança for aprovada, esse motor terá de aguentar 800 quilômetros." Segundo o suíço, os novos motores passarão a custar três vez mais, pela complexidade de se produzir um motor capaz de desenvolver os mesmos 850 cavalos, por exemplo, mas resistir muito mais. "Já pronunciei meu apoio a Mosley, desde que a medida seja adotada aos poucos." Essa é também a idéia de Patrick Head: "No primeiro ano (2003) se limitaria a duas unidades e no seguinte a um único motor." Berger viu com bons olhos o escalonamento, a ponto de abrir o jogo. "É esta sugestão que defendemos." Atualmente cada piloto dispõe, em média, de três motores por fim de semana de GP, um para cada dia de atividade, sexta-feira, sábado e domingo. Não existem restrições. Há também propostas mais simples e que, segundo seus autores, mais eficazes que a limitação de motor. "As equipes mais bem estruturadas trazem entre 60 e 70 pessoas para as corridas. Por que não limitar o número de integrantes por equipe no fim de semana em 20, 30 profissionais?", sugere Gary Anderson, projetista da Jordan. Para que se tenha uma idéia de custos: o orçamento de motores de equipes como Ferrari e Renault superam os US$ 60 milhões por temporada, mesmo valor gasto pela Mercedes, para produzir o V-10 da McLaren, e pela BMW, para o V-10 da Williams. Escuderias como a Sauber, que adquire da Ferrari o direito de usar seu motor, gastam US$ 22 milhões por ano.

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