F-1: Ecclestone tenta mudar o jogo

Um dia depois de a Alta Corte de Londres aceitar a reivindicação dos bancos sócios da holding que gerencia a Fórmula 1, Slec, de pretender maior participação nas decisões da empresa, Bernie Ecclestone, o outro sócio da holding, acenou com a possibilidade de mudanças. E para atender o interesse das equipes de receber uma quantia maior de dinheiro. Ecclestone está oferecendo US$ 500 milhões.O dirigente inglês é dono de 25% da Slec. Três bancos têm os 75% restantes, Bayrische Landesbank, JP Morgan e Lehman Brothers. A Slec é a holding que adquiriu da FIA, por US$ 360 milhões, os direitos de explorar comercialmente a Fórmula 1. Da forma como estava organizada a Slec, com a maior parte da diretoria indicada por Ecclestone, os bancos quase que apenas assistiam a sua administração. Os bancos tiveram de recorrer à justiça.Ganharam. Agora, terão poder de negociação, o que lhes era negado.Consequência imediata: as montadoras que investem na Fórmula 1, há muito interessadas em serem sócias da Slec, poderiam negociar sua participação na holding diretamente com os bancos. Ao tornarem-se sócias, poderiam mudar as atuais proporções de dinheiro destinados a elas próprias. Ecclestone segue o que está escrito no Acordo da Concórdia, ou seja, 47% do arrecadado pela Slec deve ser dividido entre todas as equipes e 53% destina-se à Slec. Com a venda de direitos de TV e outras fontes de receita, estima-se que a Slec fature US$ 700 milhões por ano.Diante da ameaça de ver as montadoras suas sócias, por terem adquirido a participação dos bancos, Ecclestone já fez uma oferta. Os três bancos tornaram-se sócios da Slec sem querer. Financiaram o negócio para o alemão Leo Kirch, mas como ele faliu, em 2001, tomaram sua parte. Agora desejam ao menos reaver os US$ 1,6 bilhão investidos no negócio.Como as montadoras querem comprar e os bancos vender, as possibilidades de acerto são grandes. Ecclestone ficaria minoritário na história. Seu poder na gestão dos recursos da Fórmula 1 diminuiria sensivelmente. É por isso que já ontem ofereceu US$ 500 milhões para ser distribuído em três anos. "É muito mais do que o Acordo da Concórdia lhes garante. Acho que vão aceitar", afirmou o dirigente.TESTES - Em Jerez de la Frontera, na Espanha, treinaram nesta terça-feira Ferrari, McLaren e Toyota. Nesta quarta entram na pista também as equipes BAR, Renault, Williams e Red Bull. Juan Pablo Montoya, McLaren, foi o mais veloz, nesta terça, 1min16s545 (73 voltas). Rubens Barrichello deve treinar com a Ferrari quinta e sexta-feira, último dia de testes.

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